Conversa com Louise Scoz da "Observatório Inteligência de Mercado"

POSTADO: 08/05/2015

Conversa com Louise Scoz da "Observatório Inteligência de Mercado"

Louise Scoz, diretora da empresa de pesquisa "Observatório Inteligência de Mercado" e doutoranda em Antropologia Social pela UFRGS, nos conta um pouco sobre como será a sua parceria com o Aura Curadoria Contemporânea e quais são as principais características das empresas vinculadas à economia criativa.

 

Gostaríamos que nos falasse um pouco sobre o teu envolvimento com a área cultural. Como surgiu esse interesse pela economia criativa e pela arte?

LS: O interesse por economia criativa nasceu de um interesse bem acadêmico. Sou doutoranda em Antropologia Social pela UFRGS e, durante o mestrado, trabalhei com a temática das webcelebridades. Meu grande interesse era saber como era possível para alguém se tornar uma webcelebridade e isso me levou a perceber como a questão da criatividade se tornou importante para a economia e para os negócios. Isso se tornou o tema da minha tese de doutorado. Desde 2014, eu investigo esse universo, que realmente é fascinante. Meu interesse pela arte já é um pouco mais pessoal: sempre fez parte da minha formação. Minha família era muito envolvida com arte e cultivou essa paixão em mim. Cheguei inclusive a ter uma formação mais técnica, mas a vida me levou para outro caminho.

E a tua empresa, “Observatório Inteligência de Mercado”, como ela foi criada?

LS: A Observatório Inteligência de Mercado foi pensada para tocar as pessoas. Isso pode parecer abstrato demais para uma empresa de pesquisa, mas na verdade é o que faz a diferença em todos os processos da consultoria. Eu e minha sócia, Ana Schuster, nos conhecemos na ESPM durante a graduação. Naquela época muito se falava a respeito do papel da pesquisa e do planejamento estratégico nas empresas e a gente via isso como um campo interessante de atuação. Tínhamos um objetivo desde o início de garantir a qualidade da pesquisa do início até o final. Isso significa ser capaz de entregar resultado para nossos contratantes. Só que isso não é tão simples como parece.

Hoje existe uma demanda muito grande por conhecimento sobre o consumidor por parte das marcas e esse tipo de informação se tornou vital para as empresas. No mercado contemporâneo, é muito difícil sobreviver sem entender como as pessoas inserem produtos e serviços nas suas vidas. E esse conhecimento vem da pesquisa. O problema é que é muito difícil enxergar o impacto da pesquisa no dia a dia da empresa. Primeiro é um serviço muito técnico. Trabalhamos com conceitos, teoria, metodologia, coisas que são difíceis de compreender. Se um pesquisador passa a vida inteira aprendendo como fazer pesquisa, imagina as pessoas que não estão dentro desse universo. Isso então abre espaço para muitos enganos e expectativas irreais sobre o que a pesquisa pode fazer por marcas e empresas.

Costumo dizer que o mercado de pesquisa é meio um faroeste às vezes: tem muita desinformação. Para realmente fazer a diferença, a consultoria de pesquisa tem que oferecer um serviço com alto expertise teórico, metodológico e de negócio e entregar tudo isso de forma fácil e aplicável. Esse é o ponto central da Observatório Inteligência de Mercado. Entregamos pesquisa científica e resultados estratégicos que fazem, efetivamente, diferença nos processos dos meus contratantes e conseguimos fazer isso porque apostamos na nossa formação como pesquisadoras, no treinamento da nossa equipe e na exigência constante de melhorar nossos processos, mas sempre tendo em vista um olhar sensível e humano.

Tocar as pessoas, para nós, não significa simplesmente dar resultado para os contratantes em termos de faturamento, mas principalmente fazer com que a voz do consumidor seja ouvida e respeitada e não existe nada melhor do que enxergar esse impacto positivo no mundo.

Você teria como nos contar as principais características que definem as empresas ligadas à economia criativa? Como elas se diferenciam das demais empresas?

LS: Economia Criativa é um termo recente que tenta chamar a atenção para uma gama de atividades econômicas que já existem faz tempo. Arte, cinema, design, propaganda, música, entretenimento, enfim, campos de expressividade humana que tinham algum objetivo comercial. O que mudou agora é que ao defender a existência da Economia Criativa, economistas, empresários e políticos buscam levar adiante políticas governamentais de fomento e investimento em setores criativos. Isso se tornou importante no mundo de hoje pela enorme demanda global por produtos culturais, de origem e de especialidade. O Brasil chegou a adotar esse modelo de desenvolvimento com a Secretaria da Economia Criativa em 2012 e a implementação de Observatórios de Economia Criativa em algumas universidades públicas – incluindo a UFRGS – e os municípios seguiram com iniciativas público-privadas, mas ao que parece esse debate ainda está iniciando.


A definição das empresas que são consideradas parte desse campo é uma discussão que ainda não terminou, mas o que elas têm em comum é que produzem valor por meio de propriedade intelectual, marcas e patentes. Tem muita empresa que faz parte desse mercado criativo que não tem nenhuma propriedade intelectual, mas investe em diferenciais qualitativos dos seus produtos e serviços. Isso significa apostar em processos mais artesanais, autorais, ligados à cultura e a estilo de vida.

Sobre a pesquisa que será desenvolvida para o Aura Curadoria Contemporânea, quais os questionamentos que o projeto almeja responder? E como ela será realizada?

LS: A pesquisa que está sendo desenvolvida junto ao Aura partiu da necessidade de conhecer melhor o universo de quem está interessado e comprando arte atualmente no país. Esse é um mercado que tende a ser visto um pouco como enigmático e restrito e isso tem muita relação com o imaginário a respeito da arte. Meu papel é ir atrás de quem está pensando e fazendo o mercado da arte e desvendar o que faz e o que não faz sentido para esses profissionais, consumidores e entusiastas. Isso vai ajudar o Aura a responder de maneira muito mais eficaz a todas essas demandas e fazer a diferença na vida dessas pessoas.

Sites:
O trabalho das webceleridades: http://bit.ly/1OJPCs4
Linkedin Louise Scoz: http://linkd.in/1JcIBJn
Página da Observatório no Facebook: http://on.fb.me/1FAY72E

 

Entrevista por Talitha Motter

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categorias: Mercado de Arte, Economia Criativa