SP-ARTE 2019

artista(s): Luca Parise

A SP-Arte – Festival Internacional de Arte de São Paulo – se estabelece como dinâmica plataforma de intercâmbio cultural e artístico entre curadores, colecionadores, artistas, renomadas galerias, obras e admiradores das artes. Nos dias de evento, a arte e o design ocupam lugar central em debates e criações, que se estendem por toda cidade de São Paulo.

Na 15ª edição da SP-ARTE, apresentaremos o projeto Máquina de desenho do artista representado pela Galeria Aura, Luca Parise. Estaremos no estande A2, no setor geral da Feira.
 

Máquina de desenho e Moscário

Máquinas de desenho, ou seja, mecanismos que auxiliam o ato de desenhar ou até desenham automaticamente, são inventados com regularidade a mais de 500 anos. Nas últimas décadas, diversos artistas contemporâneos criaram obras-máquinas de desenho, deslocando a aura da criação artística do fazer manual, para o planejamento mecânico, questionando conceitos de autoria etc. Luca Parise não pensou em nada disso antes de fazer sua máquina de desenho, que pouco se assemelha ao que costumamos associar a uma máquina, nem produz exatamente o que se convencionou chamar de desenho. Trata-se de uma estranha e fascinante mistura de mapoteca, ecossistema automatizado e moscário, que produz obras de arte e pode ser operada por qualquer pessoa que tenha em mãos o seu manual de instruções.
 
A obra-máquina de obras criada por Luca Parise e vista pela primeira vez em público agora, neste projeto solo na SP-Arte, surgiu em uma das últimas etapas de soluções plásticas para resolver uma série de problemas, em sua maioria inventados. Uma sucessão de “dobras”, como define o artista, referindo-se aos gestos que sobrepõem e subvertem significados, fáceis no início, quase impossíveis depois de sucessivas dobras.
 
O que era originalmente a mapoteca do atelier de Luca (esse grande gaveteiro ideal para armazenar mapas, desenhos, gravuras e fotografias), foi inicialmente dobrada em um objeto disfuncional e agradável, sendo elevada do chão e ganhado um conjunto de vasos com plantas: um jardim sobre seu tampo. Regar plantas sobre obras de arte não parece uma boa ideia. Morre a mapoteca.
 
Vazias e inúteis, as gavetas ficaram desconectadas do jardim sobre ela. O conjunto é então dobrado mais uma vez, no sentido inverso, unindo suas partes em um organismo. Perfurando o tampo e as gavetas superiores, o artista permite que a água das plantas escorra por dentro, respingando nos papéis. As primeiras gavetas passam a abrigar matéria orgânica e componentes de ferro, que formam diferentes caldos enferrujados. O líquido escorre pelos orifícios para manchar o que estiver nos andares inferiores, contendo papéis virgens e até o retorno de obras antes consideradas terminadas, anteriormente guardadas na mapoteca.
 
Em determinado ponto, a obra já é também máquina e termina de ser constituída em pleno uso, cheia de rastros processuais e upgrades técnico-estéticos. Ajustando e aprendendo ao longo do caminho, o artista opera a máquina manchando papéis nobres, derretendo fotografias e matrizes de gravuras. Quando satisfeito com o resultado, Luca transfere as obras das gavetas gotejantes para a última gaveta, mais próxima do chão, contendo um preparo em pó antisséptico que suspende o dano químico sobre os papéis, para serem então carimbados e rotulados com informações da “safra” de desenhos. 
 
Talvez a última dobra significativa nesse processo de criação da máquina, depois de ser automatizada com um sistema temporizador de irrigação e iluminação, tenha servido para lidar com um problema inesperado, desses especialmente complicados de resolver e que parecem deliciosos para o artista em questão. O ecossistema da máquina se completou com a chegada das moscas que, atraídas pela matéria orgânica, umidade e gavetas escuras, se proliferaram descontroladamente, infestando o atelier. A solução foi cercar a máquina com estruturas de madeira enteladas, isolando-a e restringindo seu acesso por uma porta. A máquina de desenho se dobrou em moscário. Uma obra que produz desenhos e moscas, que desenham no ar, enquanto Luca Parise pode sair satisfeito de casa, sentido-se produtivo, para comprar mais parafusos ou ir em um club escutar música eletrônica.
 
Pensando bem, a dobra mais absurda e maravilhosa foi trazer a Máquina de Desenho Moscário para a feira de arte contemporânea, extrapolando o ciclo de produção, distribuição e consumo da obra. Matéria orgânica em decomposição, moscas e desenhos incríveis sendo produzidos in loco. A princípio me opus. Disse que achei incrível a ideia, para o artista, e “Bruna, você está louca “, para a diretora da galeria. Mas como fica evidente, fui dobrado.
 
_Lucas Pexão

 

Luca Parise

Paris/França, 1991. Vive e trabalha em São Paulo/SP.

Desde 2014 trabalha e estuda no Atelier do Centro, onde é orientado pelo artista e pedagogo Rubens Espírito Santo. No Atelier do Centro, também exerce a função de contador, professor assistente e é membro do DESPACHO (escritório de arquitetura expandida do méthodo RES). O principal display de sua pesquisa é o espaço - seja no sentido stricto sensu (instalação e objetos), seja numa ideia de espaço ampliada (através de imagens, desenho ou gravura).

Entre 2016 e 2017, participou dos salões de arte contemporânea de Piracicaba e 42° SARP - Salão de Arte de Ribeirão Preto Ribeirão Preto. Em 2013, morou em Berlim onde frequentou aulas na Universität der Künste Berlin (UDK) e na Von Erlenbach Kunstschule. Em 2012, graduou-se em Ciências Atuariais na faculdade de economia e administração da USP. Empreendeu no mercado de arte através do Nail on Wall, plataforma que fundou e permitiu conhecer o circuito de arte nacional e internacional. No período, Frequentou cursos do departamento de artes plásticas (ECA-USP) com Tadeu Chiarelli, história da arte (FAU-USP), com Agnaldo Farias, Tomie Ohtake e Escola São Paulo.
 

15ª edição da SP-Arte
3 a 7 de abril de 2019

Horários
Quarta (3 de abril): Preview para convidados
Quinta a sábado (4 a 6 de abril) : 13h–21h
Domingo (7 de abril): 11h–19h

Localização
Estande A2 - setor geral
Pavilhão da Bienal
Parque Ibirapuera, portão 3
Avenida Pedro Álvares Cabral, s/n
São Paulo, Brasil
Estacionamento no Parque com Zona Azul.

Entrada
Geral: R$ 50,00
Meia promocional*: R$ 20,00

A bilheteria encerra suas atividades trinta minutos antes do término do evento.

*Estudantes, portadores de deficiência e idosos com mais de sessenta anos [necessária a apresentação de documento]. O Vale-Cultura poderá ser utilizado para o abatimento de 50% do valor do ingresso. Crianças de até dez anos não pagam entrada.

REALIZAÇÃO

SP-ARTE

DATAS

De 3 a 7 de abril

LOCAL

Pavilhão da Bienal (Parque Ibirapuera, portão 3)

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