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Viviane teixeira aura

Viviane Teixeira

Rio de Janeiro/RJ, 1976. Vive e trabalha no Rio de Janeiro/RJ.

Bacharel em Pintura pela EBA-UFRJ (2003). De 2004 a 2012, participou de vários cursos práticos e teóricos na Escola de Artes Visuais do Parque Lage (RJ). Entre 2011 e 2012, participou do Grupo de estudos e acompanhamento de projetos com Ivair Reinaldim (RJ). Foi selecionada para as exposições individuais: The Queen seated inside her Castle – A Sala do Trono no Paço Imperial (RJ, 2016) e The Queen seated inside her Castle – A Rainha Suplente Capítulo II para o programa de exposições do Centro Cultural São Paulo (2015).  Participou das exposições coletivas: 18° Festival Internacional de Arte Contemporânea Sesc Videobrasil no SESC Pompéia (SP, 2013/2014), 4° Salão dos artistas sem galeria na Zipper Galeria e Casa da Xiclet (SP, 2013), 36° Salão de Arte Contemporânea de Ribeirão Preto (2011), 17° Salão Unama de Pequenos Formatos na Galeria de Arte Graça Landeira (Belém, 2011), Abre-Alas 5 na Galeria A Gentil Carioca (RJ, 2009), Artistas Selecionados na Universidarte XIV no Museu da República (RJ, 2007), Novíssimos 2007 na Galeria do Ibeu (RJ) e Universidarte XIV na Casa França-Brasil (RJ, 2006), além da participação em outras mostras desde 2005 até agora.

 

Seu atual trabalho, em desenho e em pintura, evidencia um universo ficcional, uma Corte fantasiosa, na qual rituais de nobreza são apresentados em narrativas não explícitas sobre os jogos de poder: a mulher onipotente e o homem acromático, cujo conceito tem como referência o consorte Filipe, Duque de Edimburgo. Trata-se de um homem inexpressivo, de papel secundário. 

Um mundo imaginário do teatro, das máscaras, das hierarquias, das guloseimas, do jogo, do desejo, do erotismo e morte, do poder e submissão, do feminino e masculino, construído pela associação de estímulos literários, históricos e memórias afetivas. Tais questões estão vinculadas às escolhas cromáticas contundentes, às superfícies saturadas de matéria e às formas híbridas e fluidas que remetem a cenas e personagens arquetípicos saídos dos contos de fadas, que travam intensos duelos e diálogos.

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Exposições individuais

2016 - The queen seated inside her castle – A sala do trono, Paço Imperial, Rio de Janeiro/RJ.

2015 - The Queen Seated Inside Her Castle – A Rainha suplente, Cap. II, Centro Cultural São Paulo/SP.

 

Exposições coletivas

2016 – Investigações Gráficas, Estudio Dezenove, Rio de Janeiro/RJ.

2015 – Trans Bordar Mentes, Coletivo Imaginário Periférico, Centro de Artes UFF, Rio de Janeiro/RJ.

2014 - Como se não houvesse espera, Centro Cultural Justiça Federal, Rio de Janeiro/RJ.

2013/14 - 18° Festival Internacional de Arte Contemporânea Sesc Videobrasil,  SESC Pompéia, São Paulo/SP.

2013 - 4° Salão dos artistas sem galeria, Zipper Galeria e Casa da Xiclet, São Paulo/SP.

2012/2013 - Artigo Rio - Feira de Arte Contemporânea, stand Galeria temporária AArtéria Art Projects, Centro de Convenções Sul América, Rio de Janeiro/RJ.

2012 - Experiência Pintura, EAV, Parque Lage, Rio de Janeiro/RJ.

2011 - 36° Salão de Arte Contemporânea de Ribeirão Preto, Ribeirão Preto/SP.

2011 - 17° Salão UNAMA de Pequenos Formatos, Galeria de Arte Graça Landeira, Belém/PA.

2010 - Entre a tinta, o ponto e o pixel, Kreatori – Coletivo de arte, Rio de Janeiro/RJ.

2009 - Abre-Alas 5, Galeria A Gentil Carioca, Rio de Janeiro/RJ.

2008 - André Andrade e Viviane Teixeira, LGC Arte Contemporânea, Rio de Janeiro/RJ.

2007 - Artistas Selecionados na Universidarte XIV, Museu da República, Rio de Janeiro/RJ.

2007 - Novíssimos 2007, Galeria do Ibeu, Rio de Janeiro/RJ

2006 - Selecionados 2006 da Universidarte XIV, Casa França-Brasil, Rio de Janeiro/RJ.

2006 - Universidarte XIV, Universidade Estácio de Sá, Rio de Janeiro/RJ.

2006 - Em qualquer rota que eu faça..., EAV, Parque Lage, Rio de Janeiro/RJ.

2005 - Imaginário Periférico, Galeria 90, Rio de Janeiro/RJ.

2003 - A arte do encontro Pintura & Poesia, Centro Cultural da Faculdade de Letras, UFRJ, Rio de Janeiro/RJ.

2001 - Mostrarte II EBA, Universidade Estácio de Sá, Rio de Janeiro/RJ.

 

Links

http://www.vivianeteixeirablog.blogspot.com.br/ 

http://www.artmazone.org/Viviane-Teixeira

http://site.videobrasil.org.br/canalvb/video/1773299/Viviane_Teixeira_18o_Festival

http://site.videobrasil.org.br/festival/arquivo/festival/programa/1589140

http://plataforma.videobrasil.org.br/#seriesemtitulo

Na sala do trono, o ritual beija-mão

Ivair Reinaldim

 

Há algum tempo, nas salas do Paço Imperial, costumava ocorrer um evento bastante célebre no Rio de Janeiro, então capital do reino português: o chamado ritual beija-mão. Tratava-se de uma cerimônia pública em que o monarca permitia que seus súditos, fossem nobres ou plebeus, beijassem sua mão como sinal de reverência, mas também de subordinação. Nessa ocasião havia um protocolo específico a ser seguido: a pessoa adentrava no recinto, aproximando-se lentamente, ajoelhava-se diante do rei, para então beijar-lhe a mão direita estendida. Em seguida levantava-se, fazia outra genuflexão e se retirava pelo lado oposto. Tal ritual, aparentemente simples, exercia enorme fascínio na população e tinha importante significação política: era uma cerimônia rotineira que reforçava a posição protetora do rei e invocava o respeito à monarquia. O beija-mão chegou a ser tão popular no Brasil que se prolongou pelo restante do século, perpetuando-se por todo o Império.

Passado esse período, hoje, ao adentrarmos em uma das salas do Paço, somos convidados a tomar parte de um novo ritual beija-mão que se desenrola entre as personagens das pinturas da artista Viviane Teixeira. De fato, não participamos efetivamente da cerimônia; dela somos apenas espectadores, acompanhamos os papéis desempenhados por cada um dos presentes, os protocolos, a troca de olhares, a devoção inabalável e as possíveis confabulações; enfim, a máquina desejante que move cada engrenagem desse jogo político, mas sobretudo erótico. Nessa solenidade, no entanto, como objeto de veneração e símbolo de poder, ao centro do ritual, evidencia-se a presença de uma figura feminina. Temos diante de nós uma rainha impassível, solitária, sentada em seu trono, de onde assiste ao cortejo de seus súditos e ao mesmo tempo é vigiada por seu valente guardião e reverenciada pelos três reis malditos. Há uma forte visceralidade nessas personagens híbridas, que apresentam certas características humanas, mas extrapolam qualquer vínculo com a realidade. O conjunto dessas pinturas dispostas no espaço expositivo compõe uma corte fantasiosa, sobreposta a outra que outrora existiu nesse mesmo lugar.

Além das referências históricas, fazem parte ainda do universo poético de Viviane Teixeira as fontes literárias, a atmosfera das artes cênicas, as iconografias das cartas de baralho e do jogo de xadrez, assim como da história da arte, tudo isso associado a memórias afetivas e à maneira peculiar como a artista elabora o cruzamento desse reservatório de narrativas e imagens, criando um mundo arquetípico próprio. Por outro lado, destaca-se igualmente o modo como associa essa pesquisa temática/visual à investigação pictórica, ao uso das cores saturadas e à preferência pela pincelada carregada, sua materialidade opulenta, a escala imponente das pinturas e a atmosfera solene, por vezes decadente, da ambientação. Não saímos indiferentes desse ritual pictórico e imagético. Em terra de rainhas e reis, de histórias de poder, erotismo e submissão, de gestos de contenção e de excessos, dos desejos recônditos e das aspirações mais lascivas, somos compelidos a fabular e a fazer parte desse cortejo. Onde se beija a mão, os olhos aspiram muito mais que os dedos.

(Texto realizado para exposição "The queen seated inside her castle - A sala do trono", Paço Imperial/RJ, 2016.)

 

The Queen seated inside her Castle

Beatriz Lemos

 

Ao fundo se avista a Rainha, bela e poderosa, sentada em seu trono a espera do grande ritual. Os súditos se apressam. Correm de um lado a outro, atentos a todos os detalhes para o momento da sublime perfeição. Não será tolerado o mínimo erro na exuberância, sequer um fiapo de linha visível nos trajes ou qualquer amassadinho nas roupas de algodão. A coreografia se desencadeia e os sete súditos se posicionam no salão em fila, de cabeça erguida. O momento esplêndido de reverência está se aproximando. Concentrados, eles se conectam entre si e iniciam a meditação dos iogues, que é o dispositivo para a corporificação dos pecados que herdaram da Rainha em uma cerimônia de incorporação.

Em ordem decrescente de vícios monárquicos, caminham em direção a Ela: avareza, inveja, preguiça, gula, ira, soberba e luxúria. Diante da majestade se ajoelham e lhe beijam a mão, mentalizando plenitude,  humildade e compaixão. Não se trata de um protocolo qualquer. Estamos em pleno Ritual Beija-Mão, onde a etiqueta cerimonial ocorre como dramatização ritualística psicomágica. O inconsciente da Rainha – que como legítima representante do divino em terra, se funde em um só corpo com vassalos e corte – toma atos simbólicos como se fossem reais, através de atos metafóricos encenados.  Os pecados corporificados defrontam a Soberana, clamando-lhe empatia e generosidade para os delitos do prazer.

Dias de psicomagia no reino são dias de louvor à arte. Respira-se música, teatro, artes plásticas e poesia como oferendas ao deus Dionísio. São períodos de pleno encantamento. Sentimentos de afeto evaporam pela pele, se tornando linguagem de troca e aprimoramento intelectual. Todos os corações ardem. Menos o da Rainha. Para sua proteção, os Guardiões Reais Vermelhos (fêmea e macho) zelam por seu mais puro sentimento, pois é sabido que este é a maior ventura de todo o reino. O destino em modo tangível e a mais potente arma bélica dos humanos.

Em meio a tanta embriaguez de almas, a Rainha remanesce em seu trono, coexistindo com o vazio no assento de seu lado esquerdo. Não se sabe ao certo se ele chegará a tempo. Sua presença é sempre uma incógnita nos dias de rituais. E essa impossibilidade de controle é a única coisa, em todo o reino, que abala a Rainha. Contudo, mesmo no desequilíbrio das emoções ela continua imóvel e impávida em sua magnificência.

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The Queen seated inside her Castle – A Rainha suplente, capítulo II trata-se de um projeto de transfiguração simbólica do espaço expositivo do Centro Cultural São Paulo. A partir de uma abordagem narrativa, as pinturas de Viviane Teixeira instauram um ritual de nobreza, com rainha e vassalos que dialogam protocolarmente a partir das dimensões e disposição das obras no espaço.

A artista propõe um ambiente ficcional onde a exposição é a própria narrativa. Uma Corte imaginária, liderada por uma rainha de poder absoluto, que evidencia veladamente conflitos relacionais: sociais, emocionais e de gênero. Costumes impostos por uma tradição herdada são retratados em movimentos teatralizados, ações como reflexos involuntários. Na fábula estão presentes também os sete pecados capitais personificados como súditos no ritual beija-mão, ou seja, espelhos emocionais ecoados no cotidiano deste império/sociedade.

Abordagens subjetivas de um micro reino da fantasia que apresentadas em conjuntos de cores esfuziantes remete-nos à magia cruel do universo de livros infantis. Afinal, rainhas e princesas, em todas as histórias, sempre são as mais belas e as mais solitárias. 

(Texto realizado para a exposição "The Queen Seated Inside Her Castle", 2015-2016, Centro Cultural São Paulo/SP.)

 

"(...) Características marcantes na pintura da artista são as dimensões de suas telas, as cores escolhidas para suas composições e a materialidade impregnada sobre sua superfície. Mas estes três aspectos apenas ressaltam o domínio dos procedimentos e algum nível de convicção em seu processo de investigação. O que surpreende de fato é a força das imagens criadas, o forte teor erótico presente em grande parte de suas pinturas e o apelo narrativo que pode ser assinalado nos últimos trabalhos. É essa dimensão pungente que agiganta suas telas, as personagens representadas e evidencia ainda mais a dinâmica de “jogo” que paira entre um trabalho e outro (entre suas referências, estão cartas de baralho, cartas de tarot, jogo de xadrez, etc.). Contrastando com as pinturas, mas não menos densos, os “desenhos” de Viviane Teixeira reforçam a criação de um universo poético particular, calcado na noção de jogo, na articulação de elementos em superfície e tridimensionais." 

(Texto de Ivair Reinaldim.)