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Aura piti tome

Piti Tomé

Rio de Janeiro/RJ, 1984. Vive e trabalha no Rio de Janeiro/RJ. 

Piti é graduada em cinema com especialização em direção cinematográfica pelo Centre d´estudis cinematográfics de catalunya e Pós- graduada em direção de fotografia pela ESCAC- Escola superior de cinema i audiovisuals de catalunya, ambas em Barcelona, e atualmente cursa História da arte na UERJ e cursos complementares na EAV, Parque Lage, RJ. Seu trabalho gira em torno da fotografia e sua pesquisa tangencia questões da psicanálise, da formação da identidade, da passagem do tempo, da infância, dos afetos e desafetos e, em última instância, da morte. Realizou sua primeira exposição individual “entre uma e outra coisa todos os dias são meus” em 2014 com curadoria de Marcelo Campos na Muv Gallery. Participou de diversas exposições coletivas dentre elas: Em 2016 “X4”, curadoria de Marcelo Campos e Efrain Almeida, Solar Grandjean de Montigny, PUC Gávea, RJ; Em 2015 “29 de setembro”, curadoria de Marcelo Campos e Efrain Almeirda, Largo das Artes, RJ; “Ser Carioca”, FotoRio, curadoria de Marco Antonio Portela, RJ; “Contextos contemporâneos”, curadoria de Ricardo Resende, Museu Bispo do Rosário, RJ; Salão dos artistas sem galeria, Zipper Galeria e Galeria Sancovsky, SP; Em 2014 “Novas aquisições – Coleção Gilberto Chateaubriand, MAM, RJ; “Novíssimos”, Galeria de Arte Ibeu, RJ; Salão de abril, CCBN, Fortaleza; “À primeira vista”, curadoria de Marcelo Campos, Efrain Almeida e Brígida Balthar, Galeria Artur Fidalgo, RJ; “Retrato: autorretrato” curadoria de Daniela Labra, Muv Gallery, RJ. Participou da residência Berlin im Fokus, na Alemanha, e possui obras na coleção de Gilberto Chateaubriand. Além das exposições, a artista participou da ArtRio 2015 e do stand da C.galeria na SP-Arte 2016.

A artista é representada pela C.Galeria/RJ.

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Exposições individuais

2015 - Repetições, Muv Gallery, Rio de Janeiro/RJ.

2014 - entre uma e outra coisa todos os dias são meus, curadoria de Marcelo Campos, Muv Gallery, Rio de Janeiro/RJ.

 

Principais exposições coletivas

2016 - Processo de conserto do desejo, C. Galeria, Rio de Janeiro/RJ.

2016 - x4, curadoria de Marcelo Campos e Efrain Almeida, Solar Grandjean de Montigny, Rio de Janeiro/RJ.

2016 - SP-Arte, estande da C. Galeria, São Paulo/SP.

2015 - ArtRio, estande da Muv Gallery, Rio de Janeiro/RJ.

2015 - 29 de setembro, curadoria de Marcelo Campos e Efrain Almeida, Largo das Artes, Rio de Janeiro/RJ.

2015 - Ser Carioca, FotoRio, curadoria de Marco Antonio Portela, Rio de Janeiro/RJ.

2015 - Contextos contemporâneos, curadoria de Ricardo Resende, Museu Bispo do Rosário Arte Contemporânea, Rio de Janeiro/RJ.

2015 - Salão dos artistas sem galeria, Galeria Zipper e Galeria Sancovsky, São Paulo/SP.

2014 - Eu l Outro l Eu, curadoria de Marcelo Campos e Roberto Conduru, Galeria Gustavo Schnoor, UERJ, Rio de Janeiro/RJ.

2014 - Efígies, curadoria de Marco Antonio Portela, Ateliê da Imagem, Rio de Janeiro/RJ.

2014 - Exposição de acervo, Muv Gallery, Rio de Janeiro/RJ.

2014 - Coletiva 2014, Parque Lage, Rio de Janeiro/RJ.

2014 - Novas aquisições – Coleção Gilberto Chateaubriand, MAM, Rio de janeiro/RJ.

2014 - Novíssimos, Galeria de Arte Ibeu, Rio de Janeiro/RJ.

2014 - Salão de abril, Centro Cultural do Banco do Nordeste, Fortaleza/CE.

2013 - À primeira vista, curadoria de Marcelo Campos, Efrain Almeida e Brígida Baltar, Galeria Artur Fidalgo, Rio de Janeiro/RJ.

2013 - Prêmio Belvedere de Arte Contemporânea, Casa de Cultura, Paraty/RJ.

2013 - Ressonâncias, Künstlerhaus Bethanien, Berlim/AL.

2013 - Retrato: autorretrato, curadoria de Daniela Labra, Muv Gallery, Rio de Janeiro/RJ.

 

Residências artísticas

2013 – Berlin im Fokus, Berlim/AL.

 

Outros trabalhos

2015 - Oficina “Fotografia e memória na arte contemporânea”, Festival de inverno do SESC, Rio de Janeiro/RJ.

2015 - Assistente de curadoria de Marcelo Campos, exposição “Um canto, dois sertões”, Museu Bispo do Rosário, Rio de Janeiro/RJ.

2015 - Assistente de curadoria de Marcelo Campos, exposição “Uma pausa em pleno voo”, inidividual de Efrain Almeida, Paço Imperial, Rio de Janeiro/RJ.

 

Formação

2015 - Práticas artísticas contemporâneas – nível II, EAV, Parque Lage, Rio de Janeiro/RJ.

2013-2016 - “Produção e portfólio” Marcelo Campos, Efrain Almeida e Brígida Baltar, EAV, Parque Lage, Rio de Janeiro/RJ.

2011-2016 - Bacharelado em História da Arte – Universidade Estadual do Rio de Janeiro/RJ.

2007-2008 - Pós-graduação em direção de fotografia, ESCAC - Escola Superior de Cinema e Audiovisual da Catalunha, Barcelona/ES.

2004-2007 - Graduação em cinema com especialização em direção cinematográfica, CECC - Centro de Estudos Cinematográficos da Catalunha, Barcelona/ES.

2004-2006 - Formação em fotografia com especialização em fotojornalismo, IDEP - Escola Superior de Imagem e Design, Barcelona/ES.

 

Representação

C. Galeria, Rio de Janeiro/RJ.

“entre uma e outra coisa todos os dias são meus”

Marcelo Campos

 

Piti Tomé realiza trabalhos que tratam de arquivos alheios, criando analogias com a memória impressa dos alfarrábios. Ao se apropriar de páginas de livros, pequenos objetos, carcaças de animais, a artista nos conduz a ambientes e temporalidades híbridos, desarticulando passado e presente, recodificando guardados familiares, afetos e peças com predicados científicos. Assim, abrimos os livros, fuçamos as gavetas, exercemos nossa parcela de voyeurismo. O uso das imagens, dos retratos sobre as páginas, nos leva a crer que estamos diante de biografias.

A exposição "entre uma e outra coisa todos os dias são meus" procura, então, estabelecer um recorte na produção de Piti Tomé, destacando os trabalhos, onde a artista imprime, sobre páginas de livros, fotos de desconhecidos, de personagens anônimos, da vida dos infames. Configura-se, então, uma estranha ideia de família. Criam-se supostas genealogias, associando-se um retrato ao outro, atribuindo-lhes possíveis irmandades.

"O retrato não me responde, ele me fita e se contempla", afirma Carlos Drummond de Andrade. O retrato de família esconde o que foram as pessoas: “Pedro é tranquilo, João não é mais mentiroso”. Afiançados pelo poema de Drummond, também podemos perceber, no retrato, a presença da morte, lugar prenunciado pelo gesto congelado, pelo estado de suspensão do tempo, do controle do corpo, da pose que se coloca como uma alteridade de si mesma. Ao mesmo tempo, a biografia engalanada, sem sabermos das hipocrisias, das falências e riquezas. Na hora do retrato, presencia-se, como no gozo, uma pequena morte.

Por outro lado, nos trabalhos de Piti, destaca-se a presença da infância. Os personagens infantis  estimulam, aqui, a narrativa de outro tempo, justificando roupas de época como fantasias da meninice, ora mais próximos aos adultos, ora mais compostos em trajes românticos, idílicos, com enfeites florais, rendilhados, nervuras, tal qual percebemos, até hoje, na indumentária infantil.

E seguimos em busca, vivendo aquilo que se escreverá nas folhas silenciosas dos livros, nas mensagens trocadas no dia a dia, nos pequenos textos, nas conversas, nas crônicas que comumente vivemos, sem perceber. Fernando Pessoa, no poema “Se depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia”, afirma que a tarefa de escrever uma biografia será muito simples, pois entre seu nascimento e sua morte, "entre uma e outra coisa todos os dias são meus".

João Cabral de Melo Neto nos diz que o livro é severo, pois exige que alguém o indague. E modesto, já que "só abre se alguém o abre". Neste sentido, é o oposto do quadro na parede que já está exposto.

O trabalho de Piti Tomé cumpre esta função, deixa o livro pronunciar palavras e, ao mesmo tempo, o abre, o oferece exposto à leitura. Sobre suas páginas, como sudários, os corpos que conviveram com a solidão das estantes, dos livros lacrados, com o austero e lúdico ambiente das bibliotecas. Por ali circularam as crianças, habitando, clandestinamente, como nas próprias palavras da artista, os espaços intersticiais, o intervalo das estantes, o em baixo da mesa, o atrás da porta, o avesso das cortinas, esconderijos das brincadeiras quando se tentava preencher lacunas, ocupar vazios, conviver com as coerções do mundo.

>< Coleção Gilberto Chateaubriand, Museu de Arte Moderna, Rio de Janeiro/RJ.