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Mariana Poppovic

São Paulo/SP, 1987. Vive e trabalha no Porto/Portugal

São Paulo/SP, 1987. Vive e trabalha no Porto/Portugal

Formada em Design de Moda pela Faculdade Santa Marcelina (SP/BR) e mestre em Pintura na Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto (PT), Mariana começou sua trajetória como ilustradora independente pela forte afinidade com o desenho. Em 2010 passa a explorar o campo da pintura, que aos poucos torna-se a principal forma de expressão de seu trabalho. Em 2015 muda-se para o Porto, em Portugal, para aprofundar-se na mídia através de um mestrado em pintura, desenvolvendo uma investigação focada no entrecruzamento de feminilidade com psicopatologia. O projeto é dividido em duas partes, a pictórica intitulada "Mil Formas, em Uma", e a teórica, "Mil Formas, Nenhuma: Sobre a Loucura, a Ausência e o Amor". Em 2017 recebe um entre os três grandes prêmios na II Bienal de Arte Internacional Gaia, e em 2018 conclui o mestrado, com a defesa e exposição final ocorrendo em um hospital psiquiátrico — ministrando, em seguida, uma visita guiada com dois grupos de pacientes. No final de 2018 tem sua primeira exposição individual em São Paulo, integrando o projeto MECAIntro, com curadoria de Lucas Pexão. Atualmente vive e trabalha no Porto, desenvolvendo seu trabalho de pintura e alguns outros projetos de ilustração e design gráfico.



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Esposição individual

2018 - MECAIntro apresenta: Mariana Poppovic, MECASPot, São Paulo, SP.

2018 - Mil Formas em Uma e Mil Formas, Nenhuma, Centro Hospitalar Conde Ferreira, Porto, Portugal.

2016 - Cerâmica Pânica, Out To Lunch, Porto, Portugal.

 

Exposições coletivas

2019 - Corpo Dado, exposição coletiva, Galeria Aura, São Paulo, SP.

2019 - Exposição de Inauguração, Espaço AL859, Porto, Portugal.

2017 - II Bienal de Arte Internacional Gaia (Prémio Águas de Gaia), Vila Nova de Gaia, Portugal.

2017 - Boa Hora, Museu da Faculdade de Belas Artes, Porto, Portugal.

 

Publicações

2017 - Catálogo da II Bienal de Arte Internacional Gaia (2017) — obra publicada: "Autorretrato nº10 (ou Pedra)".

 

Formação

2015 - 2019: Mestre em Pintura, Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto, Porto, Portugal.

2006 - 2009: Bacharel em Design de Moda, Faculdade Santa Marcelina, São Paulo, SP.

Espelho da Psique
Lucas Pexão

A paulistana Mariana Poppovic começou a mostrar seu trabalho no cenário independente, entre zines e cartazes, no limbo dos artistas/ilustradores de São Paulo. Atualmente vivendo no Porto, em Portugal, ela acaba de concluir seu mestrado em Pintura, fazendo uma brava transição do traço para a tinta. Sua primeira exposição individual acontece agora no projeto MECAIntro, em São Paulo, mostrando justamente um desdobramento de sua pesquisa acadêmica, intitulada “Mil Formas, Em Uma e Mil Formas, Nenhuma”, discutindo amor, loucura e feminilidade.

Em sua defesa do mestrado, que articulou para que acontecesse dentro de uma instituição psiquiátrica no Porto, a artista utilizou a pintura como ferramenta para uma vasta investigação da psique. No MECAIntro a busca segue, mas a seleção de obras propõe um olhar para uma bolha específica: a artista e seu companheiro, o curador e crítico Roger Valença, vivendo juntos em outro país, com seus objetos, sua casa, seus corpos e percursos entrelaçados.

Os modelos retratados nas pinturas são Roger, interpretando Mariana ou sendo ele mesmo, e a própria artista, em autorretratos que também podem ser naturezas mortas, incluindo composições de objetos pessoais. As obras surgem desse lugar de sinceridade profunda e cotidiana, no qual as habilidades e obsessões da artista parecem convergir em pinturas deliciosas que combinam cores brilhantes com sabores inusitados.

 

"Patética", de Mariana Poppovic
Roger Valença
 
Patética (2018), pintura a óleo de Mariana Poppovic, formulada com um exagero de formas e cores, exibe a artista sorrindo, caída sobre uma escada de incêndio. Na cena, além da situação em si, chamam a atenção as peças do seu vestuário, entre as quais é possível identificar um vestido estampado, um sobretudo de tons rosados, um roupão florido e um tecido de cor dourada que recobre a sua perna. A tela possui alguns temas fundamentais do trabalho recente da artista: a exploração autobiográfica, a crítica do sofrimento feminino e o tom bem humorado que se manifesta de modo absurdo.

O trabalho resgata o tema das Ninfas na história da arte, representadas com panejamentos sutis a recobrir o seu corpo, abandonada “às baixas forças do desejo e da horizontalidade”. Segundo Didi-Huberman, tais farrapos possuem o poder de arrastar consigo, em seu formato, algo como uma violência fundamental, ligada ao pathos e à paixão - de onde a artista retira o nome de sua pintura. A cenografia do tecido parece animada com uma intensidade capaz de unir a dimensão psíquica da personagem à sua coreografia corporal.

Para além disso, Patética alude ao tropo das divas no cinema que, descendo dos seus aposentos, são acometidas por um sofrimento repentino e tombam na escada. Será interessante notar como, no cinema, a queda se mostra, tornando possível para o espectador segui-la e, em certa medida, participar dela. Já a pintura, ao invés, pressupõe tal movimento e a narrativa que a antecede, concorrendo com o cinema em um outro tipo de formulação psícofísica do espaço.

Patética sorri alegoricamente para o espectador. Seu panejamento que revolve como entranhas carnais parece não apenas designar os estados da alma de sua personagem como, mais além, a situação do espectador que se deixa projetar nesta narrativa sensorial.

 

"Mariana Poppovic"
Pensarte/Mia Sousa
 
Mariana Poppovic nasceu em 1987 em São Paulo e teve como primeira formação o Design de Moda na Faculdade Santa Marcelina na sua cidade natal. A posteriori, começou a desenvolver o gosto pela ilustração que a conduziu para a a paixão pela pintura e, em Setembro do ano corrente, concluiu o Mestrado em Pintura na Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto.

Mariana apresenta-nos um conjunto de obras que conseguem conjugar visivelmente a leveza da ilustração com o misticismo da pintura, e é isto que faz do trabalho da artista um trabalho tão inquietante, mas ao mesmo tempo tão cru e sincero. Poppovic denominou-o como Infiníptico: um conjunto de mil formas que trabalham em prol de uma só, ou até mesmo em prol de coisa nenhuma. Formas essas que buscam, investigam e exploram os sentimentos mais extremos do ser humano, como o amor e a loucura.

Não obstante, pareceu-nos interessante pensarmos este trabalho tendo presente também em mente a obra da conhecida artista portuguesa Paula Rego: pelas questões que levanta, pela expressividade das figuras que povoam os quadros e pelas poses tão teatrais e ao mesmo tempo reais das mesmas. Contudo, cabe-nos ressalvar que os quadros de Mariana Poppovic ganham a sua própria identidade pela expressão pictórica e, acima de tudo, pela comunhão entre a ironia, a loucura e o tom ilustrativo dos momentos que conta. Deste modo, pode dizer-se ainda que a artista paulista confere uma carga mais leve aos seus quadros em comparação aos de Paula Rego, ainda que essa leveza não desvalorize a obra, mas sim funcione como uma mais valia, pois é através desta leveza, ainda que misteriosa, que o espetador é tentado a seguir os passos dados pelas personagens que habitam estas obras e a partir com os mesmos à descoberta do enigma que é o universo infinito do inconsciente do ser humano.

Além disso, é ainda importante realçar que a artista assume falar de si e do seu companheiro nos quadros que nos apresenta, pois as personagens representadas são sempre eles mesmos, vivendo o seu dia-a-dia, louco ou lúcido, junto dos seus bens materiais e das paisagens que os acompanham, e isto constitui em mais uma razão para podermos afirmar que se trata de uma obra crua, sincera, com a qual qualquer espetador facilmente se identifica e se sente entusiasmado em questionar o que ali é posto, literalmente, em cima da cama, da mesa ou derrubado pelo chão.

Mariana Poppovic reside atualmente na cidade do Porto, onde continua a desenvolver o seu “louco quotidiano” através das suas obras pictóricas, está envolvida em alguns projetos de ilustração e faz ainda parte da direção da newsletter semanal Artichoke.
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