Foto mack2

Marcelo Macedo

Rio de Janeiro/RJ, 1983. Vive e trabalha no Rio de Janeiro/RJ.

Rio de Janeiro/RJ, 1983. Vive e trabalha no Rio de Janeiro/RJ.

Marcelo Macedo é um artista que não apenas assume, mas também prioriza o ato de fabricar. Com uma trajetória que soma mais de uma década, foi na rua, praticando skate e graffiti que começou a pintar as muitas superfícies que o atraíam. Do figurativo, se lançou ao abstrato e nesse lugar encontra hoje uma poética duradoura, que incorpora também o tridimensional como peça chave. Partindo da prática de garimpo, Macedo reutiliza materiais, em procedimentos baseados em uma ecologia das coisas e no esforço artesanal: etapa por etapa, o artista é o único responsável pela obra final, a seu tempo, na duração que o trabalho solicitar.

Para Marcelo Macedo, o fazer - desde o formato da madeira até sua pintura final - é onde mora o transe. O caminho é o que lhe estimula e a calma velocidade de seu estúdio é o espaço de suas construções, que assumem uma genealogia neoconcreta ao mesmo tempo que evidenciam o grid caro ao designer e não se negam a uma fatura de corte naif. Os trabalhos, por vezes simples, por vezes caleidoscópicos, têm em comum a singularidade de cada peça em direção a uma concepção de belo que não destoa, porque estira e complexifica o entendimento, das práticas artísticas contemporâneas.

________

Marcelo Macedo acumula em seu currículo um grande número de exposições individuais e coletivas entre Brasil, Estados Unidos, Portugal, Alemanha e Itália, das quais se destacam De Fora pra Dentro (Rio de Janeiro, 2019), no Centro Cultural dos Correios, curadoria de Carlos Bertão; Refração (Rio de Janeiro, 2017), no Centro Cultural João Nogueira, curadoria de Marcelo Duarte; Deslocado (Lisboa, 2015), no P31 Hospital Psiquiátrico Júlio de Matos, curadoria de Sandro Resende; e Travessia (Rio de Janeiro, 2015), no Espaço Cultural Municipal Sérgio Porto, curadoria de Julieta Roitman. Participou das residências Facebook Artist in Residence (São Paulo, 2017) e 3Fish Printmaking Studios (San Francisco, 2014).

 

***

Rio de Janeiro/RJ, 1983. Lives and works in Rio de Janeiro/RJ.

 

Marcelo Macedo is an artist who not only invokes but also prioritizes the act of manufacturing. With a career spanning more than a decade, it was on the street, skateboarding and doing graffiti, where he began to paint the many surfaces which attract him. From the figurative, he pushed himself into the abstract, the place in which he finds today a consistent poetics, incorporating the three-dimensional as a key component. Starting with the practice of collecting, Macedo reuses materials, in procedures based on an ecology of things and on the artisanal effort: step by step, the artist is solely responsible for the final work, respecting the time required by the work itself.

For Marcelo Macedo, the process - from the shape of the wood to the final painting - is where the trance takes place. The path stimulates him and the calm speed of his studio is the space of his constructions, assuming a Neoconcrete genealogy, showing the grid, which is dear to the designer, while also not negating the facture of the naif cut. The works, sometimes simple, sometimes kaleidoscopic, have in common a uniqueness within each piece towards a concept of beautiful that does not clash; which stretches and complicates the understanding of contemporary artistic practices.

________

Marcelo Macedo has participated in a large number of individual and collective exhibitions in locations as Brazil, United States, Portugal, Germany and Italy. Of these, the De Fora pra Dentro (Rio de Janeiro, 2019), at the Centro Cultural dos Correios, curated by Carlos Bertão; Refração (Rio de Janeiro, 2017), at Centro Cultural João Nogueira, curated by Marcelo Duarte; Deslocado (Lisbon, 2015), at P31 Júlio de Matos Psychiatrist Hospital, curated by Sandro Resende; and Travessia (Rio de Janeiro, 2015), at Espaço Cultural Municipal Sérgio Porto, curated by Julieta Roitman stand out. He also participated in the Facebook Artist in Residence (São Paulo, 2017) and 3Fish Printmaking Studios (San Francisco, 2014) programs.



Exposições individuais:

2018 -  Aurora do sol preto, A2+Mul.Ti.Plo, Araras Vale das Videiras. Curadoria: Maneco Muller 

2017 - FBAIR (Facebook Artist in Residence program), Facebook Headquarter, São Paulo. Curadoria: Jayelle Hudson.

2016 - Travessia, Espaço Cultural Municipal Sergio Porto, Rio de Janeiro. Curadoria: Julieta Roitman.

2014 - Innate Practices, Low Gallery, San Diego/EUA; Curadoria Meegan Nolan.

2014 - Residencia, 3Fish Studios, San Francisco/EUA. Curadoria: Amy Rupple.

2012 - Até a beira, Graphos S/A, Rio de Janeiro, 2012. Curadoria: Marcelo Duarte

2012 -Coletivo 7 Horas, Homegrown, Rio de Janeiro. Curadoria: Marco Andre Tosatth Schwarzstein.

2011 - Fôlego, Galeria Jaime Portas Vilaseca, Rio de Janeiro. Curadoria: Jaime Portas Vilaseca.

 

Exposições coletivas:

2019 - De fora pra dentro, Centro Cultural dos Correios, Rio de Janeiro. Curadoria: Carlos Bertão

2018 - Gravura, Mul.Ti.Plo, Rio de Janeiro. Curadoria: Joao Sanchez

2018 - Ocupação Poética, A2+Mul.Ti.Plo, Araras Vale das Videiras. Curadoria: Maneco Muller

2018 - Orgia Voadora, Casavoa, Rio de Janeiro

2018 - Impressão das coisas, Casavoa, Rio de Janeiro.

2018 - Ser, Habitar e Imaginar, CarréArt Concrete Space, Miami/EUA. Curadoria: Flavia Macuco

2017 - Hybrid Art fair, Hotel Petit Palace, Madrid/ES. Curadoria: Marcelo Duarte

2017 - Refração, Centro Cultural Joao Nogueira (Imperator), Rio de janeiro. Curadoria: Marcelo Duarte

2017 - Casca, Galeria Carambola, Rio de Janeiro.Curadoria: Carambola

2017 - Casavoa, Casavoa, Rio de Janeiro. 

2016 - Travessia, Espaço Cultural Municipal Sergio Porto, Rio de Janeiro. Curadoria: Julieta Roitman

2016 - Conjunção, Wozen, Lisboa/PT. Curadoria: Marcelo Duarte

2016 - Artecore, MAM-RJ, Rio de Janeiro. Curadoria: Marco Andre Tosatth Schwarzstein

2015 - Sinergia, Artes&Co., San Marino/IT. Curadoria: Regina Queiroz

2015 - Deslocado, P31 Hospital Julio de Matos, Lisboa/PT. Curadoria Marcelo Duarte

2015 - Circular, Quintal, Rio de Janeiro. Curadoria: Antonio Bokel

2014 - Deu na Telha, Graphos Brasil, Rio de Janeiro. Curadoria: Ricardo Duarte

2014 - _01 Homegrown, Rio de Janeiro. Curadoria: Marco Andre Tosatth Schwarzstein

2014 - Baren Print Club, Estudio Baren, Rio de Janeiro. Curadoria: Joao Sanchez

2014 - Cultura Visual Urbana, Casa Shopping, Rio de Janeiro. Curadoria Vanda Klabin

2014 - Innate Practices, curadoria Meegan Nolan, Low Gallery, San Diego/EUA

2013 - Forest for the trees, Hellion Gallery, Portland/EUA. Curadoria Matt Wagner e Gage Hamilton

2013 - Arte Core, MAM-RJ, Rio de Janeiro. Curadoria: Marco Andre Tosatth Schwarzstein

2013 - Desdobramentos Gráficos, Graphos Brasil, Rio de Janeiro. Curadoria: Joao Sanchez e Marcelo Duarte

2013 - Comprei na Graphos, Graphos Brasil, Rio de Janeiro. Curadoria: Ricardo Duarte

2012 -Terra D’água I, Hellion Gallery, California/EUA. Curadoria: Matt Wagner

2012 -Terra D’agua II, Hellion Gallery, Portland/EUA. Curadoria: Matt Wagner

2012 - Coletivo 7 Horas, Homegrown, Rio de Janeiro. Curadoria: Marco Andre Tosatth Schwarzstein 

2012 - Morphous, Rivet Gallery, Ohio/EUA. Curadoria: Laura Kuenzli

2012 - Pindorama, Hellion Galley, Portland/EUA. Curadoria: Matt Wagner

2012 - Mesa&Cadeira, Cartel 011, São Paulo. Curadoria: Jose Cabaço

2011 - Stroke Art Fair, Intoxicated Demons, Munique/AL. Curadoria: Marco Schwalbe 

2011 - Fresh from Rio, FB Gallery, Nova Iorque/EUA. Curadoria:Francois Baron

2011 - Arte Rua, Instituto Rua, Rio de Janeiro. Curadoria: Jaime Portas Vilaseca

2011 - Stroke Art Fair, Intoxicated Demons, Berlim/AL.Curadoria: Marco Schwalbe 

2011 - Dia dos Mortos, Homegrown, Rio de Janeiro. Curadoria: Marco Andre Tosatth Schwarzstein

2011 - Tocayo #12, Galpão Ação da Cidadania, Rio de Janeiro. Curadoria: Marco Santos

2011 - Fôlego, Galeria Jaime Portas Vilaseca, Rio de Janeiro. Curadoria: Jaime Portas Vilaseca

2010 - Entre outros, Galeria +Soma, São Paulo. Curadoria: Natalia Lucki

2009 - Por trás do muro, Espaço Casa Forum, Rio De Janeiro. Curadoria: Marcelo Caldas

 

Residências:

- FBAIR (Facebook Artist in Residence Program), Facebook Headquarter, São Paulo, 2017. Curadoria: Jayelle Hudson 

- 3Fish Studios, San Francisco/EUA , 2014. Curadoria: Amy Rupple, 

Mar Céu Elo
Francisca Libertad, 2020

Se os pés fossem vistos primeiro, andariam descalços em passos suaves sobre nuvens tão azuis e brancas quanto o ritmo lento em que as cores de suas paredes se movem. Em sua terra tudo é cru, tudo é signo, tudo é sopro de estrela. Basta adentrar o portal para o vasto escuro de seus olhos que se enxerga lá no fundo a travessia interna de suas pontes e tantas pequenas mortes. Adentro tudo é arte e fato, os pensamentos se entrelaçam em psicodelia intrincada e geometria mirabolante, morfando lagarta em borboleta e borboleta de volta ao casulo esculpido em tronco. Anda escondido na barba, não decifrei seu rosto, assisti os detalhes de seus traços tentando juntar os pedaços e completar seu inteiro. Mas sua cara se transforma com suas eras, hora menino, hora homem, hora preto velho. Fala de lá do cerne do peito até o ouvido mais próximo com a intensidade de quem sente o que diz e a sensibilidade de quem se dispõe a estar completamente presente. A calma grave de sua voz lenta disfarça a força do viril velado que não se expõe até requerido.
No entorno, cem mil tons de madeira cortada, cada ângulo revelando a estrofe de uma poesia da floresta. Ele se aquieta consigo talhando por horas à fio pedaços da selva dentre os calos de suas mãos, esculpe sem pressa novos traços no antigo, transvendo no descartável o garimpo do mutável enquanto conversa em silêncio com a magia xamânica dos espíritos da terra e do céu. Por todo canto pequenas cabeças de cerâmica e suas mil personalidades observam o espaço preenchido de delírios, viagens e mirações. Ele senta de cócoras sobre a cadeira de rodinhas e mergulha no lúdico esticando o tempo das intenções, cada expressão se arrastando lenta em seu rosto, ecoando em suas quinas até se esvaziar de si e partir para o próximo conceito. Ele deita na rede e imerge em mares e desertos tomado pelo sussurro em rito de mulher entidade o incitando a confiar no caminho e assim ele segue adiante.
Marcelo tem mar e elo com céu no meio e isso já diz quase tudo. Marcelo quer dizer também pequeno guerreiro e basta olhar com atenção suas mãos grandes de homem da terra para entender que a luta ali é interna e sua arte ponta de lança da espada mais afiada na sua batalha com o dragão. E pequeno porque se permite também não ser só grande, se embaraça em seu labirinto de entornamentos gerando criação sem intenção maior se não a de se transbordar. Em sua cabeça, galáxias astrais e universos espirituais se somam e complementam em uma maneira de ser e estar onde tudo se embaralha em sinais celestiais e transbordamentos artísticos. Deuses e diabos se misturam em um imaginário fantástico de quem já foi pássaro. Ele voa espaços siderais, mergulha de cabeça até a raiz do núcleo da terra e volta transmutado. Ele plana. Eu olho e vejo gaivota.

 

×