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Aura louise kanefuku perfil

Louise Kanefuku

Porto Alegre/RS, 1985. Vive e trabalha em Porto Alegre/RS.

Bacharel em Comunicação Social e Artes Visuais pela UFRGS, Louise possui um trabalho com foco em desenho. Sua produção recente é composta por desenhos feitos a partir de fotos de seu corpo em posições que remetem a momentos de insônia e sonho. Tendo a intuição como cerne do seu processo, Louise se interessa pelo inconsciente e pela autorrepresentação. 

Recentemente, a Azulejo Arte Impressa publicou um livro com os desenhos de Louise Kanefuku. É possível adquirí-lo através do site: http://bit.ly/2202htW

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Work aura arte louise kanefuku estudo sobre a insonia
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2015 - Indicação de Artista Revelação, com a exposição "Estudo sobre a insônia" (UFCSPA), IX Prêmio Açorianos de Artes Plásticas, Porto Alegre/RS.

2015 - Prêmio Aquisição, 44º Salão de Arte Contemporânea Luiz Sacilotto, Santo André/SP.

2014 - Prêmio de Incentivo à Criatividade, 20º Salão de Artes Plásticas de Porto Alegre, Câmara Municipal de Porto Alegre/RS.

Exposições individuais

2015 - Estudo sobre a insônia, Espaço de Artes da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, Porto Alegre/RS.

2014 - Pequenos Martírios Indolores, Instituto Estadual de Artes Visuais, Porto Alegre/RS.

2013 - Pequenos Martírios Indolores, Associação Riograndense de Artes Plásticas Francisco Lisboa, Porto Alegre/RS.

2013 - Longe Daqui, Galeria Mario Quintana do Trensurb, Porto Alegre/RS.

 

Exposições coletivas

2017 - Devaneios, Galeria Aura, São Paulo/SP.

2016 - Futurama 2, MACRS, Porto Alegre/RS.

2016 - Exposição De Formados, Pinacoteca Barão do Santo Ângelo (IA/UFRGS), Porto Alegre/RS.

2016 - 3ª Mostra Audiovisual Sem Destino, Pinacoteca Barão do Santo Ângelo (IA/UFRGS), Porto Alegre/RS.

2016 - Um passo em falso no vazio, Acervo Independente, Porto Alegre/RS.

2015 - Arte Essencial, Galeria Arte & Fato, Porto Alegre/RS.

2015 - Exigências do Desenho, Acervo Independente, Porto Alegre/RS.

2015 - Retrospectiva IEAVi, Instituto Estadual de Artes Visuais, Porto Alegre/RS.

2014 - Os Rinocerontes estão chegando (Rhinos are Comming), Centro Cultural CEEE Erico Veríssimo (Porto Alegre/RS) e simultaneamente na Polônia, Portugal e África do Sul.

2014 - Dez ao Cubo, Galeria Arte & Fato, Porto Alegre/RS.

2014 - Útero, museu e domesticidade, MARGS, Porto Alegre/RS.

2014 - Mostra Audiovisual Sem Destino, Pinacoteca Barão do Santo Ângelo (IA/UFRGS), Porto Alegre/RS.

2014 - Vontade: para tudo na vida. MACRS, Porto Alegre/RS.

2013 - Museologia do Mercado, Galeria Arte & Fato, Porto Alegre/RS.

 

Salões

2016 - 44º Salão de Arte Contemporânea Luiz Sacilotto, Salão de Exposições, Santo André/SP.

2014 - 20º Salão de Artes Plásticas de Porto Alegre, Câmara Municipal de Porto Alegre/RS.

2013 - 4º Salão SESC/FUNDARTE 10x10, Fundarte, Montenegro/RS.

 

Livro

2015 - Estudo sobre a Insônia, Editora Azulejo, Porto Alegre/RS.

Louise Kanefuku - Seção Garimpo

Elisa Maia

 

"Estudo sobre a insônia" (2015) integra a série de desenhos de Louise Kanefu, na qual a artista aborda a experiência aparentemente banal, mas ao mesmo tempo intensa, para quem a conhece da incapacidade de adormecer. Os desenhos ricos em detalhes e de traços precisos que compõem a sequência são feitos a partir de fotografias da artista tiradas embaixo d'água. Com o apagamento do entorno, da água e da piscina, o corpo submerso aparece em suspenso no vazio, enfatizando a solidão característica dos momentos de insônia. "Quando coloco as figuras em um fundo vazio, quero tirar a importância sobre onde elas estão, indicar que o que importa são suas questões internas", conta.

A tranquilidade evocada pelas imagens se contrapõe à angústia que se intensifica nos momentos em que não é possível dormir. Nelas, o turbilhão de pensamentos e preocupações, que em geral mantém o insone em estado de vigília,  converte-se em um ruído surdo, isolado e silenciado pelo vazio do fundo branco. "Para mim, os momentos de insônia são aqueles em que as crises existenciais se tornam mais intensas", diz a artista. Os desenhos de Louise se impõem pela beleza, pela leveza, pelo vazio e pelo silêncio. Nas suas imagens delicadas, a escassez de elementos, materiais e cores enriquece o trabalho, ilustrando o processo de transformação de ausência em potência.

Louise, que trabalha como publicitária, encontra ainda na atividade de desenhar uma espécie de refúgio das demandas acachapantes do sistema produtivista - "como um ato de resistência a essa lógica, desenhar por dias em frente a um papel parece-me libertador." Nesse sentido, sono e desenho se aproximam como atividades que interrompem o ritmo incessante em que vivemos, estabelecendo pausas e impondo outras velocidades para nossa existência no mundo.

(Elisa Maia é formada em direito e letras e mestre em literatura, cultura e contemporaneidade. Interessa-se especialmente pelas relações entre literatura e artes visuais. Texto publicado na revista DASartes Ed. 48, p. 40, 2016.)

 

Sobre a exposição Pequenos Martírios Indolores

Flávio Gonçalves

 

Os trabalhos de Louise Kanefuku mostram pequenas figuras recortadas em frágeis folhas de papel translúcido, manipuláveis e multiplicáveis como um signo. São imagens delineadas, mas precisas no pouco de informação que carregam. Essa economia no traço permite que elas sejam arranjadas em diagramas tortuosos que lembram martírios e punições, segundo a artista. A delicadeza com que as imagens são tratadas, a sutil variação entre uma figura e outra não nos permite pensar em uma mera ação de replicar. Cada conjunto é um momento único, o que nos remete à multiplicidade de sensações e sentimentos que nos constitui (e que faz com que nos saibamos múltiplos também).

As ações sobre a imagem nua e inerte são próprias do desenho e da linguagem gráfica que inscreve, recorta, transfere, multiplica e apaga. Em geral essas ações determinam um objetivo outro que elas mesmas. Nos trabalhos de Louise todas essas ações estão direcionadas à figura (a própria figura da artista), e por isso ganham em importância e significado. Como num desenho contínuo na própria pele, a identidade exposta da artista experimenta os limites da exaustão de seu próprio sentido.

“O homem é um signo”, nos afirma a semiótica. E tudo mais que queiram que ele seja. Como signo ele vive o paradoxo de ser o sujeito da significação e de buscar constantemente um sentido para si e para o mundo em que vive. Ser signo não significa conhecer-se, pois somos transformados constantemente (e também esquecemos). A proximidade apaga a distância que estabelece o que possa significar conhecermo-nos. A representação reconstitui esse elo, e um pouco do que sofre a imagem passamos a sofrer também.

(Texto curatorial do Prof. Dr. Flávio Gonçalves para a exposição “Pequenos Martírios Indolores”. Publicado em: www.chicolisboa.com.br, no dia 30 de junho do 2013.)

 

Estudo sobre a insônia

Éder Silveira

 

Uma das características mais marcantes da prosa de Samuel Beckett é a tensão por ele estabelecida entre a extrema fragilidade de seus personagens, muitos dos quais são apresentados parcialmente enterrados em barris, presos no lodo ou ainda reduzidos a uma boca e à força que os impele a falar. Mesmo no limite, eles falam. Mesmo negando, lutando com os limites da palavra, eles não calam.

Nos trabalhos de Louise Kanefuku está presente uma tensão desta ordem. Uma tensão entre a fragilidade e a exposição de uma imagem que, em que pese a sua condição, se oferece ao espectador. Seja na série anterior de trabalhos, intitulada “Pequenos Martírios Indolores”, seja agora, com o seu “Estudo sobre a insônia”, Louise explora a representação de um eu que não foge à necessidade de se mostrar fragilizado, como nos “Pequenos Martírios”, ou marcado pela angústia, como no “Estudo sobre a insônia”.

Está firmada no imaginário popular a ideia de que o sono é dos justos. No mínimo, daqueles que estão tranquilos consigo mesmos. Perder o sono traduz a falta de tranquilidade, a dívida, a ansiedade, características marcantes dos tempos nos quais vivemos. Como Jonathan Crary assinalou, estamos imersos em um mundo pensado para operar 24/7 (24 horas, 7 dias por semana), sendo o sono a última barreira natural até o momento não controlada pelo mercado, ainda que a indústria farmacêutica sobre ele tenha investido com volúpia.

A insônia, tematizada por Louise na mostra ora em tela, concentra toda a angústia daquele que deseja se entregar ao alheamento trazido pelo sono sem ser capaz. A artista representa-se nas diferentes posições ocupadas, uma após a outra, por aquele que procura adormecer sem ser capaz, como podemos ver no primeiro “Estudo sobre a insônia”. Em trabalhos como o Estudos I e II, desenhos nos quais a imagem da artista fotografada submersa em uma piscina se converte em desenho, ela se apresenta livre dos aparatos de repouso que acabam por se tornar um azougue para o insone, como os lençóis e a própria cama.

Na exposição que ora nos oferece, Louise transita entre várias referências, que vão da cultura pop, como as graphic novels do Chris Ware, ao trabalho do artista sul-coreano Seung Mo Park, presentes em seus desenhos. Estudos sobre a Insônia é um convite para pensar e para que nos sintamos um pouco desassossegados. E o desassossego é tudo o que se quer.

(Texto curatorial do Prof. Dr. Éder Silveira para a exposição “Estudo sobre a insônia”. Impresso em folder de divulgação em junho de 2015.)

>< Casa do Olhar Luiz Sacilotto, Santo André/SP.

>< Acervo do MACRS, Porto Alegre/RS.

>< Acervo do MARGS, Porto Alegre/RS.

>< Acervo da UFCSPA, Porto Alegre/RS.