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Laerte Coutinho

São Paulo/SP, 1951. Vive e trabalha em São Paulo/SP.

Com uma vasta e premiada trajetória, Laerte vem criando e colaborando com inúmeras publicações desde a década de 1970, com trabalhos em quadrinhos, cartuns e charges. É uma das criadoras da revista Balão (quadrinhos) e da empresa Oboré (assessoria de comunicação para sindicatos). Publicou seu trabalho n’O Pasquim, n’O Bicho, no Estado de São Paulo, na Folha de São Paulo e em várias revistas. Foi autora da revista Piratas do Tietê - homônima da tira diária que produz. Participou da redação de programas de tevê da Rede Globo, tais como TV Pirata, TV Colosso e Sai de Baixo. Apresentou o programa Transando com Laerte, no Canal Brasil. É tema do curta Vestido de Laerte, de Claudia Priscila e Pedro Marques; e do longa Laerte-se, de Lygia Barbosa e Eliane Brum.

Criadora de personagens emblemáticos como os Piratas do Tietê, Hugo, Deus e Overman, Laerte lança mão de um humor refinado e mordaz para explorar temas importantes da condição humana. Além disso, desenvolve uma significativa pesquisa com desenho de modelo vivo 

 

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Laerte Coutinho São Paulo/SP, 1951. Lives and works in São Paulo/SP.

With a vast and award-winning career, Laerte Coutinho has created and collaborated with numerous publications since the 1970s, with works in comics and cartoons. She is one of the creators of Balão magazine (comics) and Oboré (communication advisory for unions). She has published work in O Pasquim and O Bicho, in the Estado de São Paulo, in the Folha de São Paulo and in several magazines. She is the author of a daily comic strip Piratas do Tietê and was a writer for Rede Globo TV programs such as TV Pirata, TV Colosso and Sai de Baixo. She presented the program Transando com Laerte, on Canal Brasil and is the subject of the short film Vestido de Laerte, by Claudia Priscila and Pedro Marques; and of the feature film, Laerte-se, by Lygia Barbosa and Eliane Brum.

She is the creator of emblematic characters such as the Pirates of Tietê, Hugo, Deus and Overman. Laerte uses a refined and biting humour to explore important themes in the human condition and in addition, contributes significantly to live model design.



Prêmio Angelo Agostini - Desenhista (1989 /1999)

Prêmio Angelo Agostini - Lançamento (1991) 

Prêmio Angelo Agostini - Mestre do quadrinho nacional (2003) 

Prêmio Angelo Agostini - Roteirista (1991 / 1992 / 1993) 

Troféu HQ Mix - Desenhista (1991 - 2003)

Troféu HQ Mix - Desenhista de humor gráfico (2002 / 2004 / 2005 / 2007) 

Troféu HQ Mix - Edição especial (2008) 

Troféu HQ Mix - Grande mestre (2010) 

Troféu HQ Mix - Roteirista (1989 / 1990 / 1991 / ) 

Troféu HQ Mix - Tira (1993 / 1998 / 1999 / 2003 / 2005 / 2006 / 2007 2011 / 2012 / 2014)

No labirinto do minotauro

Rafael Coutinho, para a exposição Ocupação Laerte, Itaú Cultural, 2014

 

O volume de trabalho produzido por (meu pai) Laerte reflete sua relação íntima de mais de 40 anos de vida, arte e desenho, assim como as transformações e os desdobramentos de muitos Laertes nos diferentes contextos do país. É com a visão nublada pelo envolvimento pessoal de filho que me volto para essa obra.

Os trabalhos mais conhecidos pelo público são os Laertes pirata, travesti, paulista, humorista de tiras nos principais jornais do país, inteligente e bem humorado de entrevistas na TV. Quem nasceu antes dos anos 1970, talvez lembre com mais força dos Laertes da militância sindical, o da revista Balão, o Laerte da Gazeta Mercantil, revista Placar e o Laerte das revistas de banca da editora Circo. Os mais atentos, conhecem Laerte roteirista de material pra televisão, teatro e cinema. Os mais íntimos, Laerte da música clássica, pianista, pai de três filhos; amoroso e parceiro que produziu materiais variados, cinéfilo e ávido leitor; Laerte inseguro, cheio de dúvidas sobre a profundidade e importância de seu trabalho em formatos e intensidade variados. E Laerte de dores e perdas profundas, de amores, casamentos e divórcios, de conquistas pessoais e explosões internas silenciosas pouca gente viu.

Agora, pegue uma suposta linha cronológica e misture a um emaranhado de intrincadas relações, como um novelo de lã. Surge o guia invisível para percorrer o labirinto.

Nas paredes, trabalhos escolhidos entre milhares. Cada caminho leva a uma compreensão do todo. Todos juntos não levam a lugar algum. Devolvem reflexões e a multiplicidade de Laertes e sua própria natureza: dúvidas, avaliações cautelosas, sempre evitando armadilhas morais, preconceitos e maniqueísmos no julgamento do mundo. Nas paredes está uma gama de temas e assuntos - ciência, cosmos, humor, sexo, história, morte, guerra e gatos. Há dias bons e ruins, fragilidade e agressão, o bom e o mau gosto, o gosto dos outros. Beethoven, Mozart, Henfil e Deus também.

Há, sobretudo, desenhos, em variados formatos e acabamentos, nos quais é evidente a desenvoltura e prazer do artista em fazê-los, a intimidade com o pincel, lápis, caneta, tinta e o papel. Salta aos olhos o vocabulário visual, o traço autoral do traço, o estilo, e como isso se manifestou cedo.

O objetivo da mostra nunca foi a compreensão “total” do artista nem desfazer o novelo de lã. É uma edição ambiciosa dessa produção que mostra algo que nunca tive dúvidas: Laerte é vários, e haverá outros.

Nesse labirinto que é sua obra, existe uma criatura que ronda, tal como no mito do Minotauro. Inquietação ou angústia, um superego solto, uma entidade sem sexo, que acuada, ataca. Vive dentro do artista ou é parte dele. Exoesqueleto que o controla e o direciona. Pode ser o próprio Laerte, criatura entre nós. Ele, meu familiar pai, um monstro.

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