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Jo o grando aura

João Grando

Torres/RS, 1982. Vive e trabalha entre Canoas/RS e Porto Alegre/RS. 

Bacharel em Artes Visuais pela UFRGS (2013). Sua prática artística se dissipa num conjunto multiplataforma e dinâmico que orquestra elementos vários, tais como textos, imagens e vídeos. Suas pinturas e desenhos são metonímias desse processo. Apresenta aqui alguns trabalhos de uma grande série chamada Rol Fabuloso, revelando as imagens como fragmentos (uma página, um frame) de uma narrativa cujos personagens, ações, cenários e demais elementos são estabelecidos caoticamente, como uma saturação de possibilidades em oposição às linhas seletivas de uma narrativa tradicional. Os grafismos e demais aspectos formais se relacionam de modo instável com o universo da cena em que estão inseridos, deixando a imagem num limbo entre a matéria e representação. O artista discute os limites da imaginação como um produto limitado à realidade, de modo que ela nunca a supera completamente, apenas a subverte. Isso se revela ora como lamento ante o impossível, ora como conforto perante uma ilusão consciente.

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Sobre tudo sob um - João Grando

2016 - Indicação na categoria "Destaque em desenho", pela exposição "Rol Fabuloso", X Prêmio Açorianos de Artes Plásticas, Porto Alegre/RS. 

Exposição Individual

2016 - Rol Fabuloso, Perestroika, Porto Alegre/RS.

 

Exposições coletivas 

2015 - Aura Ocupa #1 - Sala Branca, Porto Alegre/RS.

2014 - Amur, Miúra (Camelbird), Pinacoteca Bar e Galeria, Porto Alegre/RS.

2014 - Arte+arte: Visões de Liberdade, Memoria do Rio Grande do Sul, Porto Alegre/RS.

2014 - 15/15, Pinacoteca Barão de Santo Ângelo, Porto Alegre/RS. 

2013 - Festival Hotspot, selecionados nacionais, curadoria de Speto e Graziela Peres – exposição itinerante: Brasília/DF (Sebrae Nacional); Porto Alegre/RS (Usina do Gasômetro); Vitória/BA (Museu Vale); Salvador/BA (Teatro Vila Velha); Recife/PE (Rua da Moeda); Natal/RN (Teatro Riachuelo); Belém/PA (Estação das Docas); São Luís/MA (Convento das Mercês); Belo Horizonte/MG (Museu Inamá de Paula). 

2010 - Urussai, 27ª Casa dos Criadores, Shopping Frei Caneca, São Paulo/SP.

2008 - Vaga-lume, mostra de vídeo experimental, Pinacoteca do Instituto de Artes UFRGS, Porto Alegre/RS.

2007 - Bienal B, Casa dos Bancários, Porto Alegre/RS.

 

Aparição em periódicos e publicações

- Caderno-revista de poesia 7faces, Ano VI, 12, edição agosto-dezembro, 2015. Org. César Kiraly e Pedro Fernandes de Oliveira.(Alguns poemas publicados).

- Zupi #23 (5 páginas inteiras, das quais 2 imagens em folhas duplas - seção “start/stop”).

- ffw>>Mag! #32 (1 página inteira - pág. 188). 

- Livro Português Linguagens 7º ano, de William Roberto Cereja e Thereza Magalhães (Editora Atual) – um poema foi objeto de estudo.

- Livro selecionados 1º Concurso Nacional de Poesia – Colatina 2005.

 

Rol Fabuloso

Talitha Motter

 

Neste espaço expositivo, devemos estar preparados para nos desarmar, para nos desfazer rapidamente de certas ideias que temos sobre uma narrativa linear dos acontecimentos, sobre expectativas de encontrar compreensões únicas para o que nos rodeia e nos constitui. Aqui o artista João Grando nos coloca diante da dúvida. O rol de seres fabulosos, oriundos de diversas temporalidades para colapsar em um suporte escolhido, seja ele a superfície da tela, do papel ou da projeção, estabelece um jogo de múltiplas interpretações. Os encontros inusitados entre personagens como dinossauros, tigres, homens voadores e máquinas, nos destituem da capacidade de interpretar pontos narrativos que formem uma unidade com início, meio e fim. É possível elencar uma infinidade de sentidos (entendidos tanto como significados quanto como orientações no trajeto do olhar), os quais podem ser escolhidos e logo após abandonados por outros.

A coexistência de corpos de diferentes naturezas se dá, de maneira integrada, por meio de um fazer plástico que atravessa vários sistemas de representação. Se há uma coleção de seres, como numa amostragem do imaginário que o artista construiu no seu transitar pelo mundo, há também um compêndio de modos de construção do espaço da obra de arte. E esse é observado no uso de tratamentos mais realistas, mantendo as referências de proporcionalidade, luz e sombra da visão que temos da realidade; na elaboração de figuras esquematizadas; e na presença de formas inacabadas, como em um esboço. Nessa colagem, o texto também surge, ora com significação gráfica, ora pelo valor comunicacional de suas palavras. Como comenta João [1], “o quadro é um lugar, e, sendo um lugar, tudo pode passar por ali”.

Em Rol Fabuloso, processos do fazer na arte são revelados, como o ato de colecionar e editar elementos do mundo para sua incorporação nesse campo destinado ao ficcional. Ao jogarem com estruturas diversas para a composição das figuras, fugindo de uma representação realista unitária que ilude nosso olhar, e trazendo imagens distintas que, juntas, desestabilizam qualquer construção racional, as obras do artista nos submetem ao imprevisível. É na arte que encontramos o território para o questionamento dos entendimentos certos [2].

[1] e [2] GRANDO, João. Entrevista. Porto Alegre, 24 mar. 2016. Entrevista concedida à autora.

 

Miúra, Amur

Bibiana Ferreira Pereira

 

No final do século XIX a psicologia se separa da filosofia buscando delimitar um campo instrumental próprio para o estudo do comportamento e dos processos mentais envolvidos na natureza humana. O indivíduo e sua personalidade específica, forjado no meio e nas condições em que se constrói, torna-se uno, mas igualmente contido em uma série de estruturas comuns ao humano enquanto espécie. Nesse período, estudos como os de Freud e Jung desvelam o inconsciente, campo obscuro coletivo e individual, repleto de símbolos e arquétipos livres, universo abstrato/formal onde o artista costuma transitar, aberto, enquanto cria.

Miúra, arquétipo pessoal adotado por Victor Mendes, é uma espécie de touro robusto e bravo comumente encontrado nas touradas espanholas. Emocional e reativo, aparece tanto como figura, quanto como potência gestual em seu trabalho. Com fortes traços de caráter expressionista, observamos na produção de Victor a carga emotiva de seu universo interior, cuja forma resultante pouco se preocupa com contenções técnicas e sim com a expressão emocional em estado puro.

Amur, em contrapartida, é uma denominação do Tigre siberiano, o maior entre os felinos ainda circulantes no planeta. Predador, calculista, as listras desse animal são como nossas impressões digitais, marcas únicas do indivíduo entre todos os tigres existentes. João Grando ao adotar tal figura como totem pessoal antecipa em sua produção a marcante presença do autorretrato. Hábil desenhista e visível detentor do conhecimento das estruturas anatômicas, seu universo criativo explode em duas vias: o homem no mundo e a criação do mundo no homem.

Deste encontro surge a parceria concretizada na marca Camelbird. Projeto onde ambos aplicam suas criações em peças de vestuário. A exposição Miúra, Amur (Camelbird) nos apresenta, portanto, o próprio processo criativo, repleto das marcas pessoais de seus realizadores. Do inconsciente como potência amorfa do um e do todo na mente humana, João e Victor, a partir de suas perspectivas, nos brindam com suas galáxias em colisão, suas mitologias pessoais e fontes expressivas. A mensagem/convite é clara: é no caos criativo que nos individualizamos,

(Texto sobre uma exposição da Camelbird.)