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Fernanda Valadares

São Paulo/SP, 1971. Vive e trabalha entre São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Fernanda Valadares nasceu em São Paulo, onde fez bacharelado e licenciatura pela Faculdade Santa Marcelina. Em 2007, em busca de uma outra relação com o tempo e com o espaço, mudou-se para Porto Alegre. Fez mestrado em Poéticas Visuais pelo Instituto de Artes/UFRGS. Desde então, teve trabalhos selecionados para o I Concurso Itamaraty de Arte Contemporânea, 64º Salão de Abril/CE e 42º Salão de Arte Contemporânea Luiz Sacilotto. Participou de várias exposições coletivas e fez as exposições individuais: Museu de Arte Extemporânea, em 2012, através do XIII Concurso de Artes Plásticas Goethe Institut Porto Alegre; Na Adega Evaporada, no Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul, em 2014; e DEPOIS, na Mamute Estudio Galeria, em 2015.

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2015 - Premiada na categoria Destaque em Pintura com a exposição individual Na adega evaporada (MACRS, Porto Alegre/RS), IX Prêmio Açorianos de Artes Plásticas, Porto Alegre/RS.

2012 - XIII Concurso de Artes Plásticas Goethe Institut Porto Alegre.

2012 - Trabalho selecionado para o acervo MAC/RS.

2011 - I Concurso Itamaraty de Arte Contemporânea.

Exposições individuais

2015 - Horizonte Difuso, O Sítio, Florianópolis/SC.

2015 - Aqui o Aquí, Galeria Sancovsky, São Paulo/SP.

2015 - Depois, curadoria Gabriela Motta, Mamute Estudio Galeria, Porto Alegre.

2014 - Museu de Arte Extemporânea, Goethe Institut Porto Alegre.

2014 - Na Adega Evaporada, curadoria Paula Ramos, MACRS.

2014 - O Sétimo Continente, Projeto Zip’Up - Galeria Zipper São Paulo, curadoria Bruna Fetter, São Paulo/SP.

2014 - À Beira do Vazio, Museu de Arte de Santa Catarina, curadoria Paula Ramos, Florianópolis/SC.

 

Exposições coletivas

2016 - MAC/MON: um diálogo, Museu Oscar Niemeyer Curitiba, Curitiba/PR.

2016 - Ensaio Sobre o Visível, curadoria Ana Albani, Galeria Mamute, Porto Alegre/RS.

2015 - Interdito, curadoria Sandra Rey e Beatriz Rauscher, MUnA, Uberlândia/MG.

2015 - Interdito, curadoria Sandra Rey e Niura Borges, Galeria Mamute, Porto Alegre/RS.

2014 - Gatomiacachorrolateegomata, Galeria Tina Zappoli, Porto Alegre.

2014 - The War of Art: visions from behind the mind, curadoria Wyatt Neumann, The Safari, NYC/EUA.

2014 - De Longe e de Perto, Mamute Estudio Galeria, curadoria Angelica de Moraes, Porto Alegre.

2013 - Poéticas em Devir, Mamute Estudio Galeria, curadoria Sandra Rey, Porto Alegre.

2013 - Um Novo Horizonte, Galeria Tina Zappoli, Porto Alegre.

2012 - Contemporâneos Novos/Diante da Matéria, 20 anos MAC/RS, curadoria Paula Ramos, Porto Alegre.

 

Salões

2014 - 42º Salão de Arte Contemporânea Luiz Sacilotto, Santo André/SP.

2014  - 65º Salão Paranaense, MAC, Curitiba/PR.

2014  - 6º Salão dos Artistas Sem Galeria/ Mapa das Artes

2013 - 64º Salão de Abril/CE, Fortaleza/CE.

2012 - XIII Concurso de Artes Plásticas Goethe Institut, Porto Alegre/RS.

2011 - I Concurso Itamaraty de Arte Contemporânea, Brasília/DF.

Na Adega Evaporada

Paula Ramos
 

Descarnados, os ambientes arquitetônicos revelam suas estruturas: pisos e tetos em diálogo, colunas e vigas aparentes, paredes que se encontram, passagens que revelam novas paredes. Na pauta da representação, linhas e planos criando a ilusão de um espaço tridimensional. E então percebemos a quietude dessas superfícies maceradas ecoando em fragmentos de horizontes distantes. Paisagens construídas, paisagens isoladas.
A depuração verificada na pintura de Fernanda Valadares (São Paulo, SP, 1971) passa pela própria técnica adotada, a encáustica. Nesse processo remoto e vagaroso, em descompasso com as tecnologias e a velocidade do tempo em que vivemos, a cera de abelha, base do pigmento, vai sendo aquecida e aplicada sobre o suporte, camada sobre camada. Do adensamento da matéria resulta o adensamento da pintura, que pode manifestar-se delgada e translúcida, opaca e cremosa, lisa ou texturizada. Fernanda fez seus primeiros trabalhos em encáustica na década de 1990, mas só a partir de 2007 passou a adotá-la sistematicamente, regida pela temporalidade reclamada pela técnica e encontrando-se a si mesma, no ateliê insular, janelas voltadas para o céu. Ali, num movimento físico, mental e espiritual, vem resgatando e refinando paisagens externas e internas, experiências e memórias: contemplação, compreensão, essência.
Esta é a segunda exposição individual de Fernanda Valadares, artista que faz da pintura e seus processos uma forma de pensar e estar no mundo. Nessa adega evaporada, não procure ruídos, aprecie silêncios.


(Paula Ramos é crítica de arte, professora-pesquisadora do Instituto de Artes da UFRGS. Texto escrito para a exposição “Na adega evaporada” realizada em 2014 no MACRS, em Porto Alegre)

 

O sétimo continente

Bruna Fetter

 

O mundo contemporâneo está pautado por uma constante aceleração. As tecnologias de comunicação possibilitam a circulação de um volume de informações a uma velocidade nunca antes vista. Novas escalas de mensuração do tempo são criadas para tentar apreender numericamente aquilo que a percepção humana não alcança. Nanossegundos e picossegundos fazem parte de um vocabulário técnico que se dissemina em nosso cotidiano. E que, de tão abstratos, passam a ser compreendidos como metáfora da rapidez da vida, da passagem dos minutos, horas, dias.

Fernanda Valadares nos oferece o oposto a tudo isso. Sua obra pede tempo. Pede que o olho se sensibilize, que o corpo todo pare. Seja partindo de amplos horizontes, ou de planos construídos, a artista nos convida a desacelerar, a escutar o silencio e a tentar compreender porque a noção de sublime parece não mais fazer sentido hoje. Apenas parece. 

Na série Himalayas percorremos cordilheiras em um continente inventado. Nessa geografia particular, realidade e ficção se perpassam, plenitude e imensidão se encontram. Na obra de Fernanda, já não importa saber a que lugar a monumentalidade daquela paisagem corresponde. São os detalhes que tornam suas montanhas uma montanha qualquer e ao mesmo tempo única. Um lugar que existe para a artista e para aqueles que se permitem o momento da percepção. Onde toda a virtualização do hoje se materializa. E que em sua materialidade aciona memórias de uma arquitetura natural existente. Um espaço absoluto e sublime.

Desse sétimo continente, estado mental, emergem outras possibilidades. Nele o silencio fala e a comunicação ocorre por infralinguagem. Aqui os significados não são fixos, mas se deslocam de uma referencia a outra, deixando as imagens falarem por si, permitindo que as trocas se estabeleçam a cada encontro. Como Fernanda, que nos mostra espaço para falar de tempo. E falando de tempo nos faz vivencia-lo, pois somente assim podemos experienciar sua obra.

Mesmo quando a artista representa espaços internos, como em 23º35'17S 46º38'13"W e 23º34'15"S 46º42'18"W, lacunas preponderam e o que não está presente aparece. O grande formato, a ausência de cores, deixam espaço para a contemplação e reflexão. Para Fernanda vazio não é o mesmo que nada. Ele abstrai ruídos e configura possibilidades para o visível. 

Nesse continente imaginário os segundos se alargam. E em seu mapa mental – cujo tempo é a principal dimensão – o onírico permite que transcendamos da forma e da técnica para questões que beiram a metafísica e (porque não?) a política. Que da imersão física no trabalho e pensamento poético da artista se possa compreender uma outra forma de lidar com a realidade contemporânea, buscando um estar no mundo que extrapole a escala comprimida dos nanos e picos para uma existência mais simples e afetiva. Que esse fluxo constante de imagens desacelere até termos a possibilidade de momentos de parada. E que mesmo confrontados ao peso dessa quantidade de informações – visuais ou não – possamos respirar com maior leveza. Porque é a partir dessa noção de leveza que conseguimos, por contraste, compreender o peso de cada objeto, ação, pensamento, átomo.

Pensar nesse peso é fundamental para Fernanda, alguém que continuamente se debruça sobre a matéria para fundir camadas de cera. Mesmo que ela se enxergue como pintora e faça da encáustica seu principal meio e suporte, essa mostra nos possibilita uma imersão num universo muito mais amplo. Madeira e papel enquanto matéria adquirem carga simbólica e nos mostram uma artista de reflexão poética e expressiva complexas. Aqui também há camadas a serem desveladas. Nesse sétimo continente, sutilmente delineado na ponta do grafite, não há limites ou fronteiras. Tudo são possibilidades.

(Bruna Fetter é curadora e crítica de arte. Texto escrito para a exposição “O sétimo continente”, Galeria Zipper São Paulo, 2014)

> Acervo do MACRS, Porto Alegre.

> Acervo do MAC-PR, Curitiba/PR.