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Aura clara benfatti perfil

Clara Benfatti

Paris/França, 1984. Vive e trabalha no Porto/Portugal.

Bacharel em Educação Artística pela FAAP em 2010. Trabalha principalmente com desenho. Sua pesquisa tem como foco principal as cidades, suas construções e sua arquitetura. Interessam-lhe as possibilidades de percursos dentro de uma cidade, os panoramas com seus prédios a perder de vista, assim como a intimidade dos ambientes domésticos. Realizou a exposição individual “Outras Cidades” na Galeria Zipper (2015). Entre suas principais exposições coletivas, destacam-se “Dizer, Fazer” (São Paulo, 2014), “Estruturas Imaginárias” no Museu de arte contemporânea de Campo Grande (2014) e "[Des]equilíbrios e [In]perfeições" na Galeria Coleção de Arte (Rio de Janeiro, 2011).  Em 2013, participou do 41º Salão de arte contemporânea Luiz Sacilotto, quando ganhou um dos prêmios aquisição. Seu trabalho também está presente na coleção do Museu de Arte Contemporânea de Campo Grande.

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2013 - Prêmio aquisição, 41º Salão de Arte Contemporânea Luiz Sacilotto, Santo André/SP.

Formação

2010 - Bacharela em Artes Plásticas, Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), São Paulo/SP.

 

Exposições Individuais

2015 - Outras Cidades, Zipper Galeria, São Paulo/SP.

 

Exposições Coletivas

2017 - Na ponta da vista, Galeria ponder70, São Paulo/SP.

2016 - Corpo(r)ação, São Paulo/SP.

2016 - Visite Decorado, São Paulo/SP.

2016 - Ocupação (In)Lar, São Paulo/SP.

2014 - Enquanto você não estava aqui, RED studios, São Paulo/SP.

2014 - Da Feitura dos Sonhos, Galeria Ventana, São Paulo/SP.

2014 - Trajetórias, Galeria Pintura Brasileira, São Paulo/SP.

2014 - Estruturas Imaginárias, Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul, Campo Grande/RS.

2014 - Exposição “Dizer, Fazer”, Curadoria Galciani Neves, São Paulo/SP.

2014 - Exposição coletiva “5 anos de artes plásticas”, Embu das Artes/SP.

2013 - 24ª Mostra de Arte da Juventude, SESC Ribeirão Preto, Ribeirão Preto/SP.

2013 - 4º Prêmio Belvedere Paraty, Paraty/RJ.

2011 - Exposição [Des]equilíbrios e [In]perfeições, Curadoria Marcus Lontra, Galeria Coleção de arte, Rio de Janeiro/RJ.

2009 - Exposição coletiva 1 metro, Espaço Contra ponto, São Paulo/SP.

 

Salões

2014 - 5º Salão dos Artistas sem Galeria, São Paulo/SP.

2013 - 20º Salão de Artes Plásticas de Praia Grande, Praia Grande/SP.

2013 - 41º Salão da Primavera do MAM Resende, Resende/RJ.

2013 - 41º Salão de Arte Contemporânea Luiz Sacilotto, Santo André/SP.

2012 - 28º Salão Nacional de Artes de Embu das Artes, Embu das Artes/SP.

2012 - 16º Salão de arte de Catanduva, Catanduva/SP.

 

Residências

2017 - Hangar, Lisboa/Portugal.

Outras cidades

Mario Gioia

 

O panorama que Clara Benfatti descortina em uma de suas principais séries, Cidades Brancas, provoca no observador sentimentos por vezes contraditórios. Se o intenso labor atestado por uma espécie de filigrana extensa, constituída à maneira de uma daquelas antigas visadas feitas por artistas-viajantes em pinturas ou por fotógrafos no alvorecer dessa linguagem, é objeto de admiração, em especial pelo traço apurado do desenho de dimensões generosas, também há um outro movimento.

Ao notarmos mais o trabalho, percebe-se que vai se formando um skyline típico das metrópoles contemporâneas, mais em sentido da congestão e de uma mobilidade impotente do que de uma urbe algo utópica e conciliadora, em que os signos urbanos _ muito explorados na história da arte pelos futuristas, por exemplo_ sejam indícios de uma modernidade apaziguadora. Assim, o palimpsesto ao qual nosso olhar é seduzido a assistir detidamente agrega dados informes e, por que não, monstruosos (basta um feriado, por exemplo, para o paulistano legitimar em corpo, fumaça, luzes e trânsito o que Godard, por exemplo, teria exagerado no retrato distópico de seu Alphaville, em 1965). “É que o território é um ‘palimpsesto’, escreve e volta a desenhar continuamente”[1], alerta Anne Cauquelin em seu obrigatório A Invenção da Paisagem.

A habilidade da artista radicada em São Paulo está justamente em manejar esses vetores poéticos por vezes conflitantes, como a atração e a repulsa, a exibição ostensiva e a silenciosa introspecção, a artesania manual e a produção seriada, o público e o íntimo (privado e doméstico, por extensão). Benfatti é uma artista fincada na contemporaneidade e gosta de esgarçar contornos anteriormente determinados e mesclar abordagens, investigacões e linguagens. Assim, seu desenho ganha espaço quase forçadamente _ao mesmo tempo, com delicadeza, já que suas linhas e ângulos são diminutos _ e migra para o tridimensional, como se ela fosse a autora de uma escultura forjada no espaço físico, real, concreto e se espalhasse sem linearidade por seu entorno, sem corporeidade pelo ar, camuflando-se pelo território do não visto.

Ao mesmo tempo, a série de desenhos a retratar janelas, das mais diversas tipologias, em conjunto com o recorte A Silenciosa Fábula dos Objetos, dimensiona uma artista mais ligada a um habitar mínimo, essencial, pouco ruidoso. Esse estar menor no mundo liga a artista a vertentes da contemporaneidade mais evidentes pela ideia. Ao desenhar quase com obsessão as distintas configurações com as quais um elemento básico de uma casa se apresenta ao mundo, Benfatti parece tecer um elogio às diferentes personalidades, subjetividades e significações que o mundo do consumo não consegue suplantar. E, simultaneamente, apresentando tridimensionais em que camadas de materialidade tíbia se sobrepõem, gerando espaços instalados numa zona entre o concreto e o ficcional, outra vez a artista segue em direção ao conceito. “‘Devo’ ver. Este imperativo apresenta-se repentinamente, como um todo. No entanto, ele é constituído por mil camadas, justapostas, que até mesmo o historiador mais minucioso e o mais documentado não pode captar separadamente no pormenor da sua emergência”[2], argumenta Cauquelin. Os universos tão repletos de sobreposições de Benfatti, portanto, dizem muito sobre nossa necessidade de invenção das paisagens.


[1] CAUQUELIN, Anne. A Invenção da Paisagem. Edições 70, Lisboa, 2008, p. 71

[2] CAUQUELIN, Anne. Idem, p. 69

 

(Texto de julho de 2015)

>< MARCO – Museu de arte contemporânea do Rio Grande do Sul – Campo Grande/RS.

>< Casa do Olhar Luiz Sacilotto, Santo André/SP.