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Carolina marostica aura

Carolina Marostica

Porto Alegre/RS, 1991. Vive e trabalha em São Paulo/SP, Porto Alegre/RS e Lisboa/Portugal.

Desenvolve uma pesquisa que nasce da pintura, expandindo-se para o campo tridimensional, através da exploração de elementos fundamentais do meio pictórico: matéria e cor. Interessa-lhe criar um universo orgânico de formas associadas ao interior do corpo e à pele que o separa do mundo. Na languidez da matéria e na euforia da cor, explora as fronteiras entre atração e abjeção, natural e artificial. Busca criar situações que rompam com a ordem e a assepsia do cotidiano, expondo a fragilidade da carne e o incontrolável da natureza.

Mestranda em Pintura pela Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa. Bacharel em Artes Visuais pela Universidade do Rio Grande do Sul. Expõe com regularidade desde 2010, com participações em mostras no Brasil e em Portugal. Realizou sua primeira exposição individual em 2013, na Associação Chico Lisboa (Porto Alegre/RS). Trabalha com pintura, objetos e instalações.

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Exposições individuais

2015 - Universo Orgânico, Pura Cal, Lisboa/Portugal.

2014 - Inundação, Galeria de Arte do DMAE, Porto Alegre/RS.

2013 - Não tínhamos outro remédio quando as coisas éramos nós, Associação Chico Lisboa, Porto Alegre/RS.

 

Exposições coletivas

2015 - De onde para onde, Instituto Superior de Economia e Gestão, Lisboa/Portugal.

2015 - G.A.B-A (Galerias Abertas das Belas-Artes), Faculdade de Belas-Artes da Universidade de

Lisboa /Portugal.

2014 - Futurama: Inovações da Juventude, Museu dos Direitos Humanos do Mercosul, Porto Alegre/RS.

2014 - Craft Draft: Digital Nature translated into Art by Digital Natives, Embarcadero, Porto Alegre/RS.

2014 - Coletiva, Acervo Independente , Porto Alegre/RS.

2014 - 15/15, Pinacoteca Barão de Santo Ângelo IA/UFRGS, Porto Alegre/RS.

2013 - Finalistas pintura FBAUL 2011'12, Sociedade Nacional de Belas Artes, Lisboa/Portugal.

2012 - Pintura e Desenho - A Novíssima Geração III, Museu do Trabalho, Porto Alegre/RS.

2012 - G.A.B-A (Galerias Abertas das Belas-Artes), Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa/Portugal.

2011 - À margem da paisagem, Espaço Ado Malagoli, IA – UFRGS, Porto Alegre/RS.

2011 - Passagens Interiores, Arquivo Público do Estado, Porto Alegre/RS.

2010 - Paisagem transfigurada, intervenção realizada na ocasião do festival Macondo Circus, Santa Maria/RS.

2010 - Algumas Impressões 9, Espaço Ado Malagoli, IA – UFRGS, Porto Alegre/RS.

 

Salões

2014 - 20º Salão de Artes Plásticas da Câmara Municipal de Porto Alegre, Câmara Municipal de Porto Alegre/RS.

2012 - XXV Salão de Primavera / Prémio Rainha Isabel de Bragança, Galeria de Arte do Casino Estoril, Estoril/Portugal.

2010 - 19º Salão de Artes Plásticas da Câmara Municipal de Porto Alegre, Câmara Municipal de Porto Alegre/RS.

Mutável Matéria

Talitha Motter

 

Merleau-Ponty, certa vez, afirmou que “é oferecendo seu corpo ao mundo que o pintor transforma o mundo em pintura” [1]. E é justamente por meio de seu corpo que Carolina Marostica vivencia o entorno e o refaz em trabalhos, através de substâncias recolhidas no seu transitar cotidiano. Ao invés de trazer uma representação do visível para a pintura, desenvolve suas obras como matéria formante do mundo. Nas telas e instalações (que também fulguram como pintura), esses materiais, como a tinta a óleo, o silicone ou a pelúcia, que partilham a característica de serem informes, maleáveis e de fácil resposta ao gesto da artista, geram movimentos de expansão, de trocas e de acomodação. Eles trazem à tona as forças que interagem na natureza para moldarem nossos corpos. Tais estruturas aludem à instabilidade, à transitoriedade que se esconde sob a visão superficial da pele que reveste os seres.

Nesse percurso expositivo, somos deslocados para uma situação de maravilhamento e descoberta. Distanciando-nos do embotamento da sensibilidade, observando as gradações de espessuras dos materiais, a maneira como há regiões que se adensam para após se diluírem, notamos a carne que se contorce. Das experiências primeiras, da percepção inicial das coisas, quando ainda não se estabeleceram filtros do que é adequado ou não, surge essa matéria que se apresenta plena de luz. Rasgam-se, em nossos olhos, verdes e rosas fluorescentes. E ali essas cores brincam, numa mistura que não tem receio do poder das cores. Como afirma a artista, nessa esfera do que é primeiro, “os contrários se diluem” [2]. Colocar-se na situação de desequilíbrio, deixar a matéria agir, os elementos deslocarem-se, numa relação mais livre com o corpo-matéria, faz parte do processo de Marostica.

[1] MERLEAU-PONTY, Maurice. O olho e o espírito. São Paulo: Cosac & Naify, 2004, p.16.

[2] MAROSTICA, Carolina. Entrevista. Porto Alegre, 21 jul. 2015. Entrevista concedida à autora.