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Carla Borba

Porto Alegre/RS, 1978. Vive e trabalha em Vitória/ES.

Porto Alegre/RS, 1978. Vive e trabalha em Vitória/ES.

Carla Borba é doutoranda pelo PPGAV/UFRGS, bolsista CAPES (2016); mestre em Poéticas Visuais (2012) e bacharel em Artes Plásticas (2003) na mesma instituição.Participou de encontros de performances e exposições coletivas na França, Alemanha e Brasil entre as quais destacam-se: “Boteco da Diversidade: Feminismo", Sesc Pompéia, São Paulo/SP (2017); “Convergência - Mostra de Performance Arte", SESC/TO (2016); "Humanas Interlocuções", Fundação Vera Chaves Barcellos, Porto Alegre/RS (2016); "Da matéria sensível", MAC-RS, Porto Alegre/RS (2014); "Projeto DUETO", Casa M, 8º - Bienal de Artes Visuais do Mercosul, Porto Alegre/ RS (2011); "Rencontres Européennes Art Performances", Forum Social Europeen, Espace Les Blancs Manteaux, Paris (2003); 7º e 8º Congrès International Art Performances, Paris/Berlim (2002). Carla recebeu a Bolsa Iberê Camargo (2002) o qual possibilitou sua residência na Cité Internationale des Arts em Paris. 

Seus trabalhos envolvem as relações entre performance, imagem, corpo, questões de gênero e processos colaborativos.  Em seu trabalho, o corpo é o elemento aglutinador de afetos, marcas, lugares, temporalidades, gênero e identidade. Corpo como dispositivo de encontro para partilhar experiências artísticas por meio da performance, partilhar lembranças e contextos de subjetivação.



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Vestido de Pedra

Exposição POLARES

2016 - Convergência 2016 - Mostra de Performance Arte do SESC/TO.

2002 - Recebeu a Bolsa Iberê Camargo com o Projeto Álbum de Família, o qual possibilitou sua residência na Cité Internationale des Arts em Paris.           

Performances

Performance Espaço de Conflito

2018 - Exposição POLARES, Galeria Aura, São Paulo/SP.

2017 - Expressões do Múltiplo, Pinacoteca Barão do Santo Ângelo, Instituto de Artes/UFRGS, Porto Alegre/RS.

2016 - Vira lattes, Galeria de Arte e Pesquisa, UFES, Vitória/ES.

2016 - Circuito de Performance, Galeria Península, Porto Alegre/RS.

Performance 7 CABEÇAS

2017 - Raiz Forte Espaço de Criação – coletivo de mulheres negras, Vitória/ES.

2017 - Boteco da Diversidade: feminismo, Sesc Pompéia, São Paulo/SP.

2015 - III Simpósio Internacional em Artes Cênicas, Universidade Federal de Santa Maria, Santa Maria/RS.

2015 - Programa De/generadas, Sesc Santana, São Paulo/SP.

2011 - Casa M, 8° Bienal de Artes Visuais do Mercosul, Porto Alegre/RS.

2009 - Bar 512, Porto Alegre/RS.                                                

2005 - Artcore 10: brésil écosophie, Galerie ArtCore, Paris.

2003 - Rencontres Européennes Art Performances - Forum Social Europeen, Espace Les Blancs Manteaux, Paris. 

Performance Lab.Nós4

2016 - Ruido.Gesto ação&performance, Universidade Federal do Rio Grande-FURG, Rio Grande/RS.

Performance Carta de Ventos

2016 - Programa Público de Performance Península, Galeria Península, Porto Alegre/RS.

Performance Cabeça de Terra

2014 - Espetáculo Teatral VÃO, Teatro Santa Casa, Porto Alegre/RS.

2012 - Memorial do Rio Grande do Sul, Porto Alegre/RS.

2011 - Projetos Vecinos com Rodrigo John, Casa M – 8º Bienal de Artes Visuais do Mercosul, Porto Alegre/RS.

Performance ETROC

2014 - Espetáculo Teatral VÃO, Teatro Santa Casa, Porto Alegre/RS.

2010 -  Espetáculo VÃO, Sala Qorpo Santo, Porto Alegre/RS.

2011 - Espetáculo VÃO, Sala Álvaro Moreyra, Porto Alegre/RS.

Outras performances

2018 - Performance Partituras de um duelo, exposição POLARES, Galeria Aura, São Paulo/SP.

2013 - Performance Olhos, Espaço LZ de Arte, Porto Alegre/RS.

2011 - Performance Geocarnivora com Yanto Laitano, Casa M – 8º Bienal de Artes Visuais do Mercosul, Porto Alegre/RS.

2010 - Performance Vestido de Pedra – parte I, Tortaria, Porto Alegre/RS.

2005 - Performance Vestido de Luz, Art Parade: Coletivações/Collectifs’actions, Nuit Blanche, Paris.

2003 – Performance Vírus, Pinacoteca do Instituto de Artes, Porto Alegre/RS.

2002 - Performance Rosita - 7º e 8º Congrès International Art Performances, Paris/Berlim.

 

Exposições individuais

2017 - 7 Cabeças – Arquivos de corpos disruptivos, Galeria de Arte Espaço Universitário – GAEU, Universidade Federal do Espírito Santo – UFES, Vitória/ES.

2005 - Une Compagne de Voyage, projeto Social (Re)Mix, Galeria da Rue des Gardes, Paris.

2002 - Instalações, Galeria UNIVATES, Lajeado/RS.

 

Exposições coletivas

2018 - POLARES, Galeria Aura, São Paulo/SP.

2016 - Humanas Interlocuções, Fundação Vera Chaves Barcellos, Viamão/RS.

2016 - Mulheres artistas: a perspectiva feminina na coleção do MACRS, Casa de Cultura Mario Quintana, Porto Alegre/RS.

2015 - Perto de Nós - Lançamento da AURA, Loft da Vasco, Porto Alegre/RS.

2015 - Através da Imagem: a fotografia como Arte Contemporânea, Pinacoteca Barão do Santo Ângelo, Instituto de Artes/UFRGS, Porto Alegre/RS.

2014 - Projeto PRISMA, Atelier Subterranêa, Porto Alegre/RS.

2014 - Da matéria sensível, Casa de Cultura Mario Quintana, Porto Alegre/RS.

2014 - Independência: quem troca?, GAP-Galeria de Arte e Pesquisa da UFES, Vitória/ES.

2014 - Neblina: A fotografia no Acervo do MAC-RS, Galeria dos Arcos/Usina do Gasômetro, Porto Alegre/RS.

2014 - Útero, Museu e Domesticidade: gerações do feminino na arte, MARGS - Museu de Arte do Rio Grande do Sul, Porto Alegre/RS.

2014 - Artistas da Galeria, Estúdio Galeria Mamute, Porto Alegre/RS.

2013 - Curadoria de A-Z, Casa de Cultura Mario Quintana, Porto Alegre/RS.

2012 Bazar de Arte, Casa Comum – núcleo de pesquisa, produção e compartilhamento de arte, Porto Alegre/RS.

2012 - Leilão de Fotografia Contemporânea, Galeria Mascate, Porto Alegre/RS.

2012 - Jacaré Bailô, Casa Comum – núcleo de pequisa, produção e compartilhamento de arte, Porto Alegre/RS.

2011 - Vídeo PODA na seleção de vídeos de Paolo Santoscoy, Casa M - 8º Bienal de Artes Visuais do Mercosul, Porto Alegre/RS.

2011 - Pequenos Formatos, Atelier Subterrânea, Porto Alegre/RS.

2010 - Convivências – Dez Anos de Bolsa Iberê Camargo, Fundação Iberê Camargo, Porto Alegre/RS.

2010 - Terras Indígenas, Memorial dos Povos Indígenas, Brasília/DF.

2008 - Sablé, Centre Culturel Joel le Theule – Scène Conventionnée, França. 

2008 - Pôster-Book: Declaração Universal dos Direitos Humanos, Secretaria da Justiça e do Desenvolvimento Social (SJDS), Porto Alegre/RS.

2006 - Imagem Lúcida: Fotografia Contemporânea no acervo FVCB, Fundação Vera Chaves Barcellos, Viamão/RS.

2006 - Câmara Rasgada, Galeria dos Arcos, Gasômetro, Porto Alegre/RS.

2006 - Salão Nacional de Arte de Goiás, Shopping Flamboyant, Goiânia/GO.

2005 - Instalação Objeto síntese: Puxa-Saco,  8° Rencontre d’art contemporain LO’ ART, St. Mathurien/France.

2005 - Preservação e Memórias Grupo Uroboros, Espaço TUCA, São Paulo/ SP e Espaço cultural do Sofitel São Paulo/SP.

2003 - Um território da Fotografia, Galeria dos Arcos/Usina do Gasômetro, Porto Alegre/RS.

2002 - Mois de la Photo, Cité Internationale des Arts, Paris.

As regras do jogo 
Bruna Fetter
Junho 2018

Um jogo pode ter muitos significados. Pode evocar diversão, disputa, espírito esportivo, mas também competitivo, encontro, confronto, superação, submissão, vitória, derrota. Mas e quando o jogo é estabelecido como base de projetos artísticos? Quais regras passam a valer?

Carla Borba utiliza o jogo como metodologia de encontro e potência poética para lidar com questões nada divertidas. Partindo de tensões sociais e tendo o corpo como suporte de seus trabalhos, gera situações de embate que perpassam momentos que podem ser íntimos e, ao mesmo tempo, de amplo espectro social.

POLARES, primeira individual da artista em São Paulo, ocupa o espaço expositivo da AURA com a performance “Partituras de um duelo” e seus vestígios. Na performance, Carla Borba propõe uma série de duelos inspirados no jogo “pedra, papel e tesoura”, que o extrapolam ao expandir os elementos da disputa, sua escala e seus significados ordinários, simbólicos e sensíveis. Algodão e fogo, tijolo e marreta, areia e aspirador de pó, papel e água são alguns dos componentes utilizados nos combates vivenciados por Carla Borba e pela performer convidada, Carina Dias. Força física e características do desgaste dos materiais são utilizados ora a favor, ora contra cada uma das jogadoras - mulheres - que têm na dualidade medo e coragem os disparadores para lidar com as situações-opressões propostas pela artista. Ao final da sequência de lutas, fica a dúvida, há realmente uma vencedora?

Entendida pela artista como uma oportunidade de laboratório, a exposição adquire significado particular neste contexto, uma vez que não haverá obra a ser exposta para além do rastro de destruição deixado pelos duelos. Eventualmente, tais resquícios serão ativados pela artista durante o período de ocupação da galeria, não como obra finalizada, mas pela oportunidade de conviver com a ruína e experimentar o que poderá daí advir. Talvez um novo jogo. Ainda não sabemos. A única regra determinada de antemão pela artista é a de expor-se sem ser um projeto expositivo per se.

O projeto encerra com a performance “Espaço de conflito”, na qual Carla enche balões de forma ininterrupta e convida o público a fazer o mesmo. Ao final da brincadeira, o espaço da galeria fica tomado por balões vermelhos, azuis e amarelos, ou seja, fica tomado por ar vindo do pulmão de todos ali presentes, nos lembrando que arte pode ocupar qualquer lugar, mesmo entre os escombros.

Que comecem os jogos.

 

Pele como Minério
Bruna Fetter

 

Escutar o corpo, sentir o corpo, movimentar o corpo. Agir e sofrer as consequências da ação. Para Carla Borba todo trabalho nasce da sua relação íntima e pessoal com seu corpo. Um corpo feminino, de vestido vermelho, mas também um corpo de rocha, de terra. Um corpo que se fortalece e se descobre no contato com a natureza. Não um mero contato casual, mas sim uma substituição da própria cabeça, ou um acréscimo de pedras, tornando-as parte da sua estrutura primordial, somando peso à aparente fragilidade do salto alto.
Um corpo exposto (estando ele nu ou não). Porque para acessar a alma, camadas e camadas precisam ser compreendidas e cuidadosamente retiradas. Aqui caberia a compreensão da Arqueologia como uma metáfora para a Psicanálise. Porque esse corpo armazena não apenas a memória de Carla, mas uma memória ancestral da própria Terra, através dos seus sedimentos. Uma banheira cheia de carvão. Um corpo que submerge (ou emerge?) desse arquivo mineral para incorporá-lo à pele. Agora tudo isso pertence à Carla. Como ela mesma diz: “Sou um simples corpo que arquiva e sedimenta o devir”.
Da mesma forma que um minerador explora uma mina com o objetivo de encontrar fragmentos de valor e acaba desbravando todo um universo subterrâneo, foi na performance que a artista encontrou seu principal meio expressivo e as possibilidades de exploração do seu corpo como ferramenta. A partir dos registros desse seu percurso, temos acesso aos seus caminhos escuros, olhos vendados. Fotografias que servem como fóssil, marcando os rastros da ação.
E é na ação sobre fotografias antigas – repletas de história e memória pessoal – que pessoas são omitidas com a violência da tesoura ou esmagadas sob um plano de tachinhas. Ambos, tesoura ou tachinhas, elementos de uso escolar e banal, são ressignificados por Carla e adquirem aqui o papel do machado e da picareta.
Tamanho uso da força física é uma constante no trabalho da artista, que quebra com antagonismos pré-concebidos e mostra seu corpo de mulher numa relação de intimidade e equilíbrio com a natureza.

> Museu de Arte do Rio Grande do Sul, Porto Alegre/RS.
> Fundação Vera Chaves Barcellos, Viamão/RS.
> MACRS, Porto Alegre.

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