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Bruno novelli perfil aura

Bruno Novelli

Porto Alegre/RS, 1980. Vive e trabalha em São Paulo/SP.

A produção mais recente de Bruno Novelli se apresenta numa variedade de meios, incluindo pinturas em tela, desenhos sobre papel, trabalhos digitais e mapas metagráficos. A partir de registros fotográficos obtidos em caminhadas durante visita à Amazônia e à mata próxima da costa de Santa Catarina e São Paulo, Novelli traduz as imagens obtidas da floresta nas formas digitalizadas e geométricas encontradas nas suas pinturas e desenhos ricos em matizes. Através dessas várias obras, Bruno usa a floresta para articular uma cadeia de relações orgânicas, semelhantes às que existem também em um ambiente urbano. As camadas das pinturas e imagens digitais lidam com as camadas de tempo que conectam o presente com memórias do passado, sugerindo tanto a ideia de continuidade como a de singularidade de cada momento. Ao longo de cada trabalho, celebra a materialidade da pintura enquanto processo. Uma série de mapas metagráficos também articulam o processo de criação de Novelli como numa exploração das potencialidades da linguagem verbal e visual. Funcionando como diagramas através da mente do artista durante o processo de criação, esses mapas abordam a exploração interdisciplinar dos temas e seus relacionamentos interligados. Vários dos novos projetos digitais são baseados em gifs animados, trazendo imagens em um conjunto de diferentes registros fotográficos a partir das explorações na floresta em contraste com formas abstratas e geométricas. Novelli é graduado em Design Gráfico pela ESPM em São Paulo e estudou escultura na School of Visual Arts em New York e desenho no Atelier Livre da Prefeitura de Porto Alegre. Novelli é fundador da Universidade Autoindicada por Entidades Livres, iniciativa criada para articular pesquisas artísticas interdisciplinares. Bruno é, também, cofundador do Metagrafismo, um coletivo experimental que aborda as potencialidades gráficas na Metalinguística. Os trabalhos de Novelli têm sido exibidos no Brasil, assim como internacionalmente na Inglaterra, Dinamarca, Espanha, Japão e Estados Unidos. Mais recentemente participou de exposições na Fundación OSDE (Buenos Aires), Centro Nacional de Las Artes (CENART - México) e no Museu da Imagem e do Som (MIS) em São Paulo.

(Texto de Ruth Bruno, Denver/Colorado, 2014.)

Bruno Novelli tem matéria publicada sobre o seu trabalho no Art in America por Ben Gillespie, para ler acesse: http://www.artinamericamagazine.com/reviews/bruno-novelli/

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Video por Douglas Ferreira

2005 - Prêmio de Artes Plásticas, Instituto Goethe, Porto Alegre/RS.
2004 - Spotlight, Bolsa Iberê Camargo, Porto Alegre/RS.

Formação

2015 - Pintura e reflexão com Paulo Pasta, Instituto Tomie Ohtake, São Paulo/SP.
2014 - Graduação em Design Gráfico, ESPM, São Paulo/SP.
2014 - Desenho, Atelier Livre da Prefeitura de Porto Alegre/RS.
2001 - Educação continuada, School of Visual Arts, Nova Iorque/USA.


Exposições individuais selecionadas

2015 - Transitory Substantives, IK-Projects, Bogota/Colombia.
2014 - Materia Radiante, David B. Smith Gallery, Denver, Colorado/EUA.
2014 - Fonte Radiante, Espaço Cultural ESPM/Sul, Porto Alegre/RS.
2010 - Galeria Thomas Cohn, São Paulo/SP.
2008 - Suma, Rojo® Artspace, Copenhague/Dinamarca.
2008 - Sigma, Kalpani Rojo® Artspace, Milão/Itália.
2008 - Meta, Anno Domini Gallery, San Jose, Califórnia/EUA.
2007 - Tormenta, Rojo® Artspace, Barcelona/Espanha.
2007 - Mysterium Tremendun, Anno Domini Gallery, San Jose, Califórnia/EUA.

 

Exposições coletivas selecionadas

2014 - Mitovídeos, MIS - Museu da Imagem e do Som, São Paulo/SP.
2013 - Cosmovideografias Latinoamaricanas, CENART - Centro Nacional de Las Artes, Cidade do México/Mexico.
2012 - Barro del Paraiso, Fundacion OSDE, Buenos Aires/Argentina.
2010 - Nova, MIS - Museu da Imagem e do Som, São Paulo/SP.
2010 - LAVA at The Rag Factory, The Rag Factory/Lava Collective, Londres/Inglaterra.
2009 - Group Exhibition Part 2, David B. Smith Gallery, Denver, Colorado/EUA.
2008 - Contra o Verso, Galeria Bergamim, São Paulo/SP.
2008 - Transfer, Museu Santander Cultural, Porto Alegre/RS.
2008 - Session 3 Concoct, Performance (Live painting), Planet Patrol, Tokyo, Osaka e Fukuoka/Japão.
2006 - Persistência, Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul, Porto Alegre/RS.
2006 - MAC no A6 – Consolidação, Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul, Porto Alegre/RS.
2006 - Mostra de video CineEsquemaNovo 2006, Festival de Cinema de Porto Alegre/RS.
2005 - Desconstruindo Gigantes, Instituto Goethe, Porto Alegre/RS.
2005 - Brasil em cartaz/Le Brésil À L’affiche” Lês Silos, Chaumont/França.
2005 - Ciclo de Fogo Ishata – Devata (Performance), Multiplex 2005, Instituto Goethe, Porto Alegre/RS.
2005 - CosmoBuda, Coletivo Upgrade do Macaco, Galeria Adesivo, Porto Alegre/RS.

Substantivos transitórios

Andrés Hernández

 

“Et quid amabo nisi quod aenigma est?” 

(E o que devo amar senão o enigma?)

Giorgio de Chirico

 

As palavras como metáteses dos verbos; é assim que, metaforicamente, as geometrias formais que conformam a produção do Bruno Novelli se estruturam. Estruturas configuradas no território da tela mas projetadas sensorialmente a um espaço atemporal e sem limites espaciais. 

Apropriando-se de elementos da abstração geométrica Novelli exercita singulares e simbólicas estratégias de representação para a constituição das obras. O “objeto”, quando aparece, é como ponto de referência associado a vida do artista, como um elemento repetitivo que se faz presente se contrapõe à arte da imitação das coisas irradiando espírito e vontade. A BANANA e o TIJOLO são elementos recorrentes nesta série de obras onde, conforme o próprio artista, o primeiro simboliza a natureza e o segundo a construção do pensamento humano ou o pensamento humano em construção.

Como corolário das sistemáticas e enriquecedoras viagens realizadas pelo artista, emergem nas composições uma continuidade de diferentes momentos em um plano único, uma “ colagem bidimensional” onde se destaca o registro da flora, da fauna, de objetos, da ação do homem - estruturadas em camadas de memórias.

Em decorrência da pesquisa de Novelli, configuram-se mapas metagráficos inacabados, onde as próprias formas particularizam a linguagem plástica. Neles, os mapas, há uma dualidade na ação da constituição: a experiência do artista e a internet. Assim, o artista constrói digitalmente e de forma dual suas composições e concebe figuras repletas de matéria pictórica, arquitetadas a partir da sua prática e talento, sem serem simplesmente reproduzidas. Além disso, partes do suporte tradicional utilizado, como a trama da tela, por exemplo, são integradas ao conjunto. Isso resulta numa série de grafismos animados: o corporal, o grafismo das tramas e o da montagem. Com isso o artista exprime o mistério da forma, que mais se enfatiza e impregna de significados à medida que os objetos se desincorporam de sua função primária.

A relação entre suas experiências como designer gráfico e viajante fazem de Novelli um construtor de catálogos de Botânica e um explorador de memórias. Esta conjunção se manifesta, sobretudo, nas séries onde a flora é predominante. Mas seu papel de designer é desempenhado como o de um preparador de desenhos, de projetos, como idealizador de manifestos inacabados. Desta forma, ele concebe enigmas a serem desvendados pelo espectador. Na minha opinião, o enigma é a razão da pesquisa do artista e, consequentemente, a provocação de um sentimento interrogativo acerca do real indicada numa orgulhosa aptidão para a representação. É enigma o jogo de inteligência que o artista exercita ao subverter o sentido lógico e a ordem aparente da realidade. Para a constituição desta realidade em suas obras, Novelli ceva sua produção dos resultados das discussões nos encontros com seus colegas do grupo Metagrafismo. Nutre-se de experiências do cotidiano em metagrafismos que reverberam nas obras e nas projeções circulares entre estas e o espectador.

Nos mapas, o efeito com a luz limita-se a deixar visível algumas partes do conjunto provocando um estranho jogo de conexões, desvendando como o artista, no momento da representação. Evidencia o poder das formas sem ter comprometido na junção das grades o verdadeiro valor das mesmas e das técnicas tradicionais como a pintura, a fotografia e a colagem. Acentuando a forma expressiva em todas a direções do representado Novelli, intensifica o valor simbólico das formas e o poder intrínseco das mesmas. Implanta um ambiente carregado de presságios e expectativas, não apenas nos objetos estáticos representados, mas também no movimento das figuras, dos vestígios da existência cotidiana; assim como na presença de formas evocativas e alusivas que se convertem em traços encíclicos  interrompidos, incompletos cheios de mistérios a serem realizados. Estabelecem-se relações difusas entre os planos nas obras. São planos intrusivos de vistoso colorido, nos quais elementos geométricos se misturam à figuração.  Assim, ao considerar as relações cromáticas e formais, o artista elabora um jogo com os enganos da percepção visual: avanços e recuos, volumes e movimentos livres no compromisso de representar. É, na minha opinião, o modo estruturado do e para o além da representação pictórica. Nos possibilita, também, visualizar o mundo como uma revelação e não como uma representação, e despertam-se sensações possíveis de vê-lo pela primeira vez ao gerar, no espectador, vivências de surpresa e descoberta. Desta forma Novelli constrói uma fusão harmoniosa de formas protagonistas com elementos da arquitetura humana e natural.

(São Paulo/SP, 2015.)

 

 

A busca pelo inominável

Emerson Pingarilho

 

Visões através da metafísica, mitologia e física quântica podem clarear caminhos para a contemplação das obras de Bruno Novelli. As recentes pinturas apresentadas ao público na galeria Thomas Cohn em São Paulo indicam um novo caminho através das suas referências aos povos primitivos - seus registros gráficos e costumes - assim como sua percepção de presente e futuro. 

Inspirado nos temas das antigas sociedades tribais da américa do sul, sua pintura Metagrafista explora momentos importantes dessas culturas, como o mito das luzes vistas no céu, o aprendizado através do mapeamento celeste e as figuras míticas criadas a partir dessas experiências, como seres de outro tempo vivendo em um universo de alta força magnética. Estão presentes em suas criações visuais imagens de entidades zoomórficas, assim como botânica futurista, mutação de formas humanas com imagens de plantas expandidas, glândulas pineais externas e super desenvolvidas de uma raça imaginária evoluída. E assim como os nativos da amazônia desenvolveram suas padronagens gráficas para rituais espirituais, Bruno retoma o assunto de forma singular, buscando dentro de si, como os antigos, sua dimensão xamânica, atravessando o ilimitado do universo conhecido, indo em direção ao infinito. 

Em algumas de suas obras percebe-se o uso de criptografias, recriações do alfabeto latino enfatizando não somente  o sentido literal do aforismo criado, mas a força magnética de suas formas, como linhas pulsantes de um cromatismo em êxtase. Encontra-se em sua produção, também, experiências visuais através da ativação de fosfenos, representações de imersões espirituais em rituais de criação e transformação. A busca do artista traça uma trajetória pelo sensível vivido e vai em direção a uma explosão de imagens sincretistas potencializadas no sentimento comum a todos os seres desde o início dos tempos, o da criação.

Fazendo referência ao imaginário alquímico para desenvolver sua poética visual, Bruno indica um novo caminho para a expressão do artista latino-americano.  Desta forma, muitas de suas peças possuem um alto grau de entropia, eis o efeito de seu Metagrafismo, uma forma de criar imagens para além de um dizível, que sejam sutis nos seus mais profundos conteúdos e que possuam a mágica do grafismo ancestral reativado pela necessidade de expressar o sentimento do homem do séc. XXI. E isto se dá através de uma funda impressão articulada no imaginário comum das sociedades.

A busca pelo inominável mostra as múltiplas interpretações dos signos utilizados e as múltiplas leituras dentro de cada quadro. Inspirado na tradição alquímica, Bruno Novelli se apropria do imaginário mítico e popular para recriar o universo como artista visual, um universo híbrido, ora primitivo, ora futurista, que procura através do sensível perceber todas as dimensões do homem numa unidade orgânica visionária e iluminada.

(Emerson Pingarilho é artista Visual. Reside e trabalha em São Paulo. Mestre pelo Núcleo de Subjetividade PUC-SP.)

 

Sobre a exposição Fonte Radiante de Bruno Novelli.

Richard John

 

Bruno Novelli, artista gaúcho radicado em São Paulo, inaugura a exposição Fonte Radiante, no Espaço Cultural ESPM-Sul. A mostra traz um conjunto de pinturas, livros- objetos, gifs animados e experimentos que abordam elementos característicos das artes gráficas como gravuras, grafismos e tipografia.

Durante a semana que antecede a exposição, o artista realizará uma pintura de grandes dimensões diretamente nas paredes da galeria do Espaço Cultural, transformando-o em atelier ao longo do desenvolvimento de um projeto que envolve formas geométricas e tipografias ocultas por sobreposições de linhas dispostas em diferentes planos perspectivos. A pintura, concebida especialmente para o local, é uma forma de site-specific, categoria artística que leva em consideração o local de exposição e a relação deste com o espectador. Bruno destaca que “será o espaço que irá determinar a obra” e que está encantado com as possibilidades proporcionadas pela galeria.

A exposição terá abertura no sábado, 31 de maio de 2014, às 11h, e estará aberta para visitação até o dia 19 de julho.

(Richard John é Diretor do Espaço Culural ESPM/Sul. Texto de abril de 2014.)

> Fundación Artnexus, Miami/EUA.

> Carlos Nascimento, coleção privada, São Paulo/SP.

> José Olympio Pereira, coleção privada, São Paulo/SP.

> Marcelo Secaf, coleção privada, São Paulo/SP.

> Roberto Lukac, coleção privada, Lima/Peru.