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Arte contexto bethielle kupstaitis perfil

Bethielle Kupstaitis

Porto Alegre/RS, 1986. Vive e trabalha em Porto Alegre/RS.

Bethielle Kupstaitis é bacharel em Artes Visuais pela UFRGS (2011) e mestre em Artes Visuais pela UFPel (2014). Atualmente é doutoranda em Artes Visuais pelo Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais da UFRGS. Realizou três exposições individuais: a primeira, em 2011, no Paço Municipal (Porto Alegre/RS), intitulada "Entre a incisão e a inscrição"; a segunda, em 2014, "Desenho na noite" na sala Augusto Meyer, na Casa de Cultura Mário Quintana (Porto Alegre/RS), pela qual ganhou o prêmio de Menção Honrosa do Instituto Estadual de Artes Visuais do RS; e, recentemente, a exposição "À maneira negra" na sala expositiva da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (RS).

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2016 - Indicação na categoria "Destaque em gravura", pela exposição "À maneira negra", X Prêmio Açorianos de Artes Plásticas, Porto Alegre/RS. 

2014 - Menção Honrosa, Instituto Estadual de Artes Visuais, Porto Alegre/RS.

2011 - Menção Honrosa, Prêmio IBEMA de gravura, Curitiba/PR.

 

Exposições individuais

2015 - À maneira Negra, Sala expositiva da UFCSPA, Porto Alegre/RS.

2014 - Desenho na noite, Sala Augusto Meyer, Porto Alegre/RS.

2011- Entre a incisão e a inscrição, Porão do Paço Municipal, Porto Alegre/RS.

 

Exposições coletivas

2017 - Devaneios, Galeria Aura, São Paulo/SP.

2014 - P.a.r.t.i.c.u.l.a.r., Galeria Modernidade, Novo Hamburgo/RS.

2014 - Deixa que minha mãe errante adentre, Divisão de Artes Plásticas - Universidade Estadual de Londrina/PR, Londrina/PR.

2012 - Tendências Contemporâneas, Instituto de Artes UFRGS, Porto Alegre/RS.

2012 - Travessias, A sala, Universidade Federal de Pelotas, Pelotas/RS.

 

Salões

2011 - I Bienal Internacional de Gravura de Santos, Santos/SP.

2011 - 1º Prêmio Ibema de Gravura, Curitiba/PR.

2011 - 3º Salão Fundarte/SESC 10 x 10, Montenegro/RS.

2010 - 19º Salão de Artes Plásticas da Câmara Municipal de Porto Alegre, Porto Alegre/RS

2010 -  5ª Bienal de Gravura de Santo André, Santo André/SP.

Desenhos na Noite Bethielle Kupstaitis

Adriane Hernandez

 

Como a noite desenha Bethielle

Ao entrar na noite, sem artifícios, somos conduzidos por sensações surpreendentes e intermináveis, tal é o contraste com nossa imersão inconsciente na explosão visual diurna. Paradoxalmente, a visualidade extrema nos nega o ato de ver no seu modo mais fecundo, já que tamanha proliferação imagética acaba por gerar cegueira, quase como uma pane do olhar. 

Não é por acaso então que Bethielle deixa-se conduzir pela escuridão, caminhos inusitados se coadunam a sua ação de desenhar: a percepção se aguça e a imagem silencia; a retórica da representação se esvai na hachura de ausências; na infinitude do espaço pleno, surge o detalhe, o grão luminoso; a pupila se abre na escuridão e a silhueta figura em existência o próprio desenho; na noite escura o vazio é presença e os fantasmas da imagem religam o ato de ver; por fim, não ilumina a noite, mas traz a própria noite para percebermos na claridade. 

Capturado pela inversão noturna, ver a escuridão é deixar-se habitar por imagens internas. Estas que, unidas à noite e em constelações e sombras, formulam o desenho da artista.

 

Os desenhos de Bethielle Kupstaitis

Nico Rocha

 

Bethielle Kupstaitis em seus desenhos escava buscando o futuro. Em linhas sobrepostas, ela as adiciona como se garimpasse um passado situado no futuro da sua descoberta, daquilo que ainda virá a se materializar, como se escavasse o solo lenta e delicadamente, fazendo surgir o escondido (ou perdido), buscando extrair os vestígios do que ali jaz.  

Ela desenha com extremo cuidado, atentando ao que surge. Seu método se baseia em prover apenas o seguimento dos fatos, uma linha após a outra ‐ não há planejamento à longo prazo,  ela  evita  pré‐ver,  pois  prever  é  antever,  e  isso  impediria  a  descoberta.  É  a  busca  de densidade necessária onde a imagem lentamente  se constitui  na acumulação, no papel e na mente, procurando sua identidade.  

Inicialmente traçadas a partir de direções diagonais e ortogonais, giradas em relação ao papel, acumulam‐se linhas, próximas o suficiente para que, pequenas variações nessas linhas, na distância entre elas ou na sua espessura, formem agrupamentos onde começam a emergir alusões. O que lhe interessa é uma linha com um grau de contaminação da forma que, no seu acumular, sugere padrões que levam à intuição de algo ali inscrito e que espera pela ação da artista para sua emersão na consciência e no trabalho, a inscrição.  

Os  trabalhos,  de  um lado grupos  de  desenhos  quadrados em  pares  contrapostos,  de outro  lado  quatro  desenhos em  continuidade  de  uma mesma  cena  ou  imagem. Os  suportes quadrados se articulam em pares, alguns opostos; frontal x profundo, grande x pequeno, uno x fragmentado. Os  papeis  retangulares  se  compõem  em  uma  sequência  que  se estende  pelos quatro desenhos, em continuidade ou repetição, como gráficos de um processo ou como uma paisagem.  

Os agrupamentos, as tramas de linhas que se tornam faixas – articuladas em trama e urdidura – formam tessituras que estabelecem a materialidade da representação conduzindo o processo com paciência, rigor, detalhe e precisão, qualidades que ela traz da gravura e dos seus processos e procedimentos.  

Todo trabalho em sua origem concebe múltiplos futuros entranhados nele, que podem se realizar ou não, mais intensos ou mais sutis e que são despertados pelas descobertas que a artista  se  permite  e  prospecta.  Bethielle  Kupstaitis  tem  a  certeza  do  encontro  futuro, é a confiança de que sua ação tem consequência e resultados. Com a segurança de quem se move pelo fio da navalha a artista sabe que por ali encontrará o trabalho em sua condição de maior potência expressiva.